Doença infectocontagiosa aguda
causada pelo poliovírus, a poliomielite figura, atualmente, como a única Emergência de Saúde
Pública de Importância Internacional (ESPII) mantida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a Agência Brasil, o mesmo comitê que declarou,
recentemente, o fim da emergência para a covid-19 e para a mpox (varíola dos
macacos), decidiu, por unanimidade, manter o mais alto título de alerta emitido pela entidade para a pólio, popularmente conhecida como paralisia
infantil.
Um relatório emitido pela OMS, que considerou, dentre outros
fatores, a transmissão em curso da pólio no Leste do Afeganistão com propagação
para além da fronteira com o Paquistão, chama atenção para os riscos. “O comitê,
unanimemente, concordou que o risco de disseminação internacional do poliovírus
permanece como Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional e
orientou para a extensão das recomendações temporárias por mais três meses”,
destaca o documento.
Para chegar a esta decisão, o organismo internacional levou
em consideração o grande grupo de crianças sem nenhum tipo de imunização no Sul
do Afeganistão; a importação do poliovírus selvagem do Paquistão para o Malawi
e para Moçambique; e a cobertura vacinal abaixo do ideal no Sudeste da África,
no Malawi, em Moçambique, na Zâmbia e no Zimbábue. Para a OMS, isto significa
que pode haver imunidade populacional insuficiente para interromper a
transmissão.
Segundo a Agência Brasil, em fevereiro deste ano, casos de
poliovírus selvagem foram identificados no Paquistão. Em abril, novas ocorrências
também foram registradas no Afeganistão. Em 2022, a doença foi confirmada em
Moçambique e, no fim de 2021, no Malawi.
A OMS também está atenta a casos de poliovírus derivados da
vacina oral, que contém o vírus vivo atenuado, para remover a capacidade de
produzir paralisia. Em crianças vacinadas, o vírus atenuado se reproduz e
persiste no intestino por cerca de seis semanas, até ser excretado no meio
ambiente. O vírus vacinal pode, inclusive, atingir outras crianças suscetíveis
e fornecer proteção. Este fenômeno é conhecido como imunidade de rebanho.
A OMS, no entanto, explica que “em locais onde a cobertura
vacinal contra a poliomielite é baixa, esses vírus podem ser transmitidos em
muitas ocasiões entre crianças não vacinadas ou parcialmente vacinadas” e que mutações
podem ocorrer. “Em casos muito raros, essas transmissões múltiplas podem fazer
com que os vírus sofram mutação ou alterem suas características genéticas,
podendo recuperar sua capacidade de produzir paralisia. Isso permite o
aparecimento de casos com paralisia derivada da vacina”, observa a entidade.
Em março desse ano, foram identificados casos de poliovírus
derivados da vacina em Madagascar e na República Democrática do Congo, além de outro
caso detectado, no mês de fevereiro, em Moçambique. No ano passado, o Malawi e o
Congo também confirmaram casos.
Frente ao problema, a OMS alerta que a retirada da dose oral
contra a pólio do calendário de vacinação de alguns países promove a queda na
imunidade intestinal de crianças pequenas e contribui para o consequente
aumento de infecções derivadas da vacina.
A
doença – De
acordo com dados da entidade, a poliomielite afeta, sobretudo, crianças menores
de 5 anos de idade. Uma em cada 200 infecções leva à paralisia irreversível,
geralmente das pernas. Entre os acometidos, 5% a 10% morrem por paralisia dos
músculos respiratórios.
Conforme a Agência Brasil, ao longo dos últimos anos, os
casos de poliomielite diminuíram mais de 99%, passando de 350 mil casos
estimados em 1988 para seis casos reportados em 2021. “Enquanto houver uma
criança infectada, crianças de todos os países correm o risco de contrair a
poliomielite. Se a doença não for erradicada, podem ocorrer até 200 mil novos
casos no mundo, a cada ano, dentro do período de uma década", estima a
OMS.
O certificado de erradicação da pólio foi concedido ao Brasil em 1994. Mas isto não significa que o país está livre da ameaça. Conforme as autoridades sanitárias, até que a doença seja eliminada em todo o planeta, há risco de registro de casos importados e do vírus voltar a circular no território nacional.