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Saúde

Pesquisadores baianos criam tecnologia para mapear focos do mosquito da dengue

14 de Julho de 2023 | 11h 36
Pesquisadores baianos criam tecnologia para mapear focos do mosquito da dengue
Foto: Divulgação

Dois pesquisadores baianos conseguiram desenvolver uma tecnologia capaz de mapear focos e avaliar o comportamento do Aedes aegypti, o mosquito que transmite arboviroses como a dengue, a zika e a chikungunya.

De acordo com o g1 BA, os resultados são alcançados por meio da análise de estruturas urbanas, temperatura, previsão e volume de chuva. A pesquisa visa ampliar ações de combate ao mosquito, melhorando as condições de saúde da população.

Iniciada em 2019, o projeto foi desenvolvido por Davi Luca e Joelma Luca, moradores da cidade de Vitória da Conquista, no Sudoeste baiano. A dupla, que atua na startup Ondaedes, afirma que analisou bilhões de dados fornecidos por satélites da Nasa.

Com base nisso, eles prometem revolucionar a prevenção do Aedes aegypti. Em entrevista ao g1, Davi Luca disse que "atualmente, o Ministério da Saúde define as ações preventivas após identificarem os principais focos” e que, “com o mapeamento, os governantes e os órgãos poderão prever, antecipadamente, qualquer risco de infestações e traçar estratégias”.

Por meio de informações sobre temperaturas, índices pluviométricos e estruturas urbanas de cada quilômetro quadrado existente nos bancos de dados dos satélites utilizados no estudo, eles obtém detalhes aplicados às técnicas de previsão do comportamento do inseto, observado por sensoriamento remoto. “A partir dos dados coletados, podemos dizer onde e quando o Aedes aegypti estará e o que ele fará por quilômetro quadrado", explicou Davi.

Ainda de acordo com o g1, a análise por quilômetro quadrado é divida em duas áreas de riscos:

 

- Risco 1: o mosquito pode se alimentar, pôr ovos e se tornar adulto em um período de 8 a 10 dias;

- Risco 2: o mosquito pode se alimentar, pôr ovos e se tornar adulto em um período de 3 a 4 dias; além dessa diminuição no tempo de reprodução, nesse estágio, o vírus da dengue também pode ser expelido na metade do tempo da área em risco 1.

 

Assim, dizem os pesquisadores, a tecnologia utiliza variáveis às quais o mosquito é sensível. A temperatura seria uma das mais importantes, mas não é possível traçar um perfil do mosquito, uma vez que, explicam os pesquisadores, o hábito dele se modifica em diferentes regiões, o que sugere uma grande capacidade de adaptação e sobrevivência desse inseto em diversas condições.

Segundo o g1, Davi e Joelma conseguiram identificar, por exemplo, que em alguns países da Ásia, o Aedes não se reproduz em locais com temperaturas superiores a 40°C, como acontece no Brasil. Aqui, em alguns estados, foram encontrados focos de reprodução em regiões cujos termômetros chegaram a 44°C, durante a pesquisa.

Produzido com base em Big Data, o sistema utiliza um conjunto de técnicas para analisar e sistematizar grandes quantidades de dados. Isto garantiria, conforme os pesquisadores, a confiabilidade dos estudos.

A ação, diz o g1, foi realizada com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Inicialmente, a previsão era de que a pesquisa fosse finalizada em junho, mas o prazo acabou sendo prorrogado para o mês de setembro. Com 90% pronto, o trabalho vai investir em sistemas para tratar e finalizar os dados, processo que, de acordo com os autores, depende de "maior poder computacional".

Segundo o g1, quando concluído, o resultado da pesquisa será patenteado como propriedade intelectual e disponibilizado como produto do Sistema de Informação Geográfica (SIG) Online, que agrupa vários dados geoespaciais, permitindo mostrar todos os detalhes de modo correlato.



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