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Saúde

Quase 99% dos alimentos ultraprocessados vendidos no Brasil contêm ingredientes nocivos

04 de Setembro de 2023 | 09h 48
Quase 99% dos alimentos ultraprocessados vendidos no Brasil contêm ingredientes nocivos
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP), revelou que quase 99% dos alimentos ultraprocessados vendidos no Brasil contêm alto teor de sódio, gorduras, açúcares ou aditivos para realçar cor e sabor.

Altamente nocivas à saúde humana, essas substâncias estão presentes na quase totalidade de biscoitos, margarinas, bolos e tortas, achocolatados, bebidas lácteas, sorvetes, frios, embutidos e bebidas gaseificadas, a exemplo dos refrigerantes.

Conforme o estudo, que avaliou quase 10 mil alimentos e bebidas oriundos das principais redes de supermercados de São Paulo e Salvador, esses ingredientes potencialmente perigosos também são facilmente encontrados em refeições prontas, como pizzas, lasanhas, produtos de pastelarias e em bebidas açucaradas.

De acordo com a Agência Brasil, Daniela Canella, uma das autoras do levantamento e professora associada do Departamento de Nutrição Aplicada e do Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde do Instituto de Nutrição da Uerj, chama a atenção para a relação entre o hábito de consumir esses alimentos e o desenvolvimento de doenças crônicas.

Segundo a pesquisadora, os resultados são assustadores. “Eles estão associados a uma série de doenças crônicas e à obesidade, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer. Esse resultado de composição dos ultraprocessados reforça esses achados de relação de consumo desses alimentos e doenças crônicas. Por isso, os resultados são alarmantes”, disse a pesquisadora.

Na opinião da docente, além da indicação obrigatória para alimentos com alto teor de sódio, açúcar e gorduras, seria importante que as embalagens trouxessem o indicativo de aditivos, como corantes, aromatizantes e emulsificantes, substâncias que alteram a cor, a textura e o aroma dos alimentos.

Assim, explica ela, os consumidores poderiam identificar com mais facilidade os ultraprocessados e tomar a decisão de comprá-los ou não. “Além da informação no rótulo, que, a partir de outubro deste ano, passa a ser obrigatória para ‘alto em açúcar, gordura e sódio’, se os rótulos também tivessem a informação de que contêm aditivos com características cosméticas, facilitaria para que os consumidores pudessem identificar com mais facilidade o que são ultraprocessados”.

Segundo a Agência Brasil, Daniela Canella também destacou que os resultados do estudo são importantes para auxiliar as políticas públicas, a exemplo da proibição de alimentos ultraprocessados em cantinas escolares e de outras agendas regulatórias, como a publicidade de alimentos.



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