Ontem
foi o Dia Mundial do Meio Ambiente. Data solene, daquelas que acionam discursos
automáticos de louvação à natureza. Recentes catástrofes climáticas, porém,
estão deixando esses discursos sem nexo. O tempo dos discursos, aliás, ficou
para trás. É necessária ação urgente, porque os efeitos da negligência com o
meio ambiente chegaram. E não se limitam à tragédia no Rio Grande do Sul, não.
É
bom lembrar que o El Niño, que
começou ano passado e se estendeu até 2024, foi devastador. Aqui na Feira de
Santana a temperatura alcançou patamares impressionantes, sempre beirando – ou
ultrapassando – a sensação térmica de 40°. Outubro, novembro e dezembro foram
meses de calor desesperador.
Depois
do calor, vieram as tempestades. Em poucos minutos caíam volumes
impressionantes de água. Ruas e avenidas alagadas, imóveis alagados,
construções danificadas, prejuízos consideráveis, – sobretudo para os mais
pobres que perderam seus bens – tudo isso levou o município a decretar situação
de emergência no começo de 2024.
Depois
a temperatura despencou e as chuvas começaram a cair mansas, às vezes uma fina
garoa prateada encobrindo a cidade com uma cortina diáfana. Pelo jeito, bastou
isso para se abandonar, por aqui, qualquer referência às mudanças climáticas. A
catástrofe no Rio Grande do Sul é distante, nem todo mundo consegue enxergar
conexão.
Seria
bom – neste ano eleitoral – que a Feira de Santana começasse a discutir o que
fazer para mitigar os efeitos das mudanças climáticas por aqui. Ampliação de
áreas verdes, por exemplo, seria um bom tema. Afinal, há poucas árvores em espaços
públicos da zona urbana.
Cuidar
das nascentes e das lagoas que restam – muito do que havia foi soterrado pela
expansão imobiliária predatória – é outra medida que, com certeza, deveria ser
adotada. Há iniciativas complementares, como a educação ambiental e o próprio
incentivo oficial a ações de preservação que mereçam estímulo e apoio fora da
esfera pública.
O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, ainda não
disponibilizou as informações do Censo 2022 referentes ao meio ambiente em
nível municipal. Mas, pelos números de 2010, percebe-se que a situação é
desanimadora na Feira de Santana: só 48,3% das vias públicas contavam com
arborização; esgotamento sanitário adequado estava à disposição de apenas 59,7%
da população; vias públicas urbanizadas, por sua vez, limitavam-se a somente
17,1%.
Alguma coisa melhorou desde
então? Talvez. Mas é bom lembrar que tudo o que foi feito até aqui é
insuficiente. É necessário pensar – e agir – sobre a questão ambiental com mais
assertividade. Inclusive na Feira de Santana.