Além
do debate sobre mudanças climáticas, há em pauta atualmente a questão delicada
do acesso à água para consumo e produção. Embora disponha de fartas fontes
hídricas, o Brasil começa a viver o pesadelo da escassez. Uma das maiores
ameaças, hoje, é a privatização dos sistemas de água e saneamento. Em São
Paulo, por exemplo, a medida está em andamento. Mundo afora, privatizar os
serviços não deu certo. Com certeza não dará certo também em São Paulo, sob a
tutela do bolsonarismo.
Na
Feira de Santana, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento, a Embasa, é a
responsável pelos serviços. Há inúmeras reclamações – e uma sorrateira e velada
intenção de privatização – mas, no geral, a qualidade media dos serviços, na
Feira de Santana, não é das piores, considerando a realidade brasileira. Há
números disponíveis.
Dados
do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, o SNIS, de 2021, informam
que 88,89% da população feirense – 560,9 mil pessoas – tem acesso aos serviços
de abastecimento de água. Na Bahia, o percentual é menor (80,97%) e, no Brasil,
também é menor (84,2%). Embora cerca de 10% dos feirenses ainda não tenham
acesso, os números estão acima das médias estadual e nacional.
A
população urbana tem mais acesso aos serviços. O mesmo SNIS informa que 93,66%
dos feirenses – 536,2 mil pessoas – são atendidos. Neste quesito, o percentual
é menor que no estado (98,52%), mas pouco maior que no país (92,13%). Trata-se
de um serviço, portanto, que pode ser ampliado em nível local.
A
população que reside no rural feirense sempre reclama das suspensões no
fornecimento de água. É, de fato, um problema recorrente. Mas, mesmo assim,
47,94% (24,7 mil) tem acesso ao serviço. Mais que na Bahia (33,56%), mas bem
menos que no Brasil (67,49%). É necessário, portanto, mobilizar-se para ampliar
a oferta no rural feirense.
Grave,
na Feira de Santana, é a questão da perda da água tratada. Aqui, nada menos que
42% do líquido é perdido antes de chegar às torneiras de quem consome. Bem
elevado até para os ineficientes padrões do estado (27,74%) e do Brasil
(32,51%).
É
bom lembrar que esse desperdício se traduz em tarifas mais altas, o que
penaliza o consumidor. O feirense paga, em média, R$ 5,35 por metro cúbico de
água; a média baiana – que inclui empresas municipais – é maior (R$ 6,67), mas
a do Brasil é mais em conta: R$ 4,91. Desperdício menor certamente impactaria sobre
o valor da tarifa.
Os
números mostram que é necessário ampliar a cobertura dos serviços. As
constantes reclamações, por sua vez, revelam que há espaço para aprimorar a
qualidade. Daí a defender a privatização dos serviços, porém, a distância é
grande. Nos últimos anos, o discurso da privatização ganhou corpo e está sendo
tentado em São Paulo. No Rio de Janeiro, houve a privatização e não se pode
afirmar que os serviços são de excelência, a despeito da elevação dos preços
das tarifas...