O Ministério Público Federal (MPF) entrou com recurso, junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), para anular a decisão que beneficiou um dos três réus acusados pelo assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, em 2022.
Apresentado na quarta-feira (29), o pedido de revisão
tem o intuito de levar o pescador Oseney da Costa de Oliveira a julgamento, no
Tribunal do Júri. Em setembro de 2024, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região
(TRF1), sediado em Brasília, aceitou
recurso da defesa e entendeu que não há provas da participação de Oseney
nos homicídios.
No entanto, no momento do crime, ele deu carona, em uma
canoa, a Amarildo da Costa de Oliveira, seu irmão e réu pelos homicídios. Por
isso, para o MPF, Oseney tem participação nos assassinatos e deve ser julgado
pelo júri, assim como Amarildo e o outro réu, Jefferson da Silva Lima. Ambos respondem
por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Não há prazo definido
para o STJ se manifestar.
A EMBOSCADA – Bruno Pereira e Dom Phillips foram emboscados e executados no
dia 5 de junho de 2022, a bordo do barco no qual viajavam pela região do Vale
do Javari, que abriga a Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. O
território é o segundo maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares.
As vítimas foram vistas pela última vez na comunidade São
Rafael, onde embarcaram rumo à cidade de Atalaia do Norte (AM). Neste destino,
eles se reuniriam com lideranças indígenas e de comunidades ribeirinhas, mas
nunca cehgaram.
Os corpos do indigenista e do jornalista só foram encontrados
e resgatados dez dias depois do crime. Eles haviam sido esquartejados,
queimados e enterrados, clandestinamente, em uma área de mata fechada, a cerca
de 3 quilômetros da calha do Rio Itacoaí.
Colaborador do jornal britânico The Guardian, Dom se dedicava à cobertura jornalística ambiental,
incluindo os conflitos fundiários e a situação dos povos indígenas. Na ocasião de
sua morte, ele preparava um livro sobre a Amazônia.
Bruno Pereira, por sua vez, já tinha ocupado a
Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Fundação Nacional
dos Povos Indígenas (Funai) antes de se licenciar do órgão, sem vencimentos, e
passar a trabalhar para a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari
(Univaja).
Por atuar em defesa das comunidades indígenas e da
preservação do meio ambiente, o indigenista recebeu, ao longo de sua carreira,
diversas ameaças de morte.
*Com informações da
Agência Brasil.