Foi homologado, nesta quarta-feira (26), pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), o plano de trabalho do Congresso Nacional para identificar os deputados e senadores responsáveis pelas emendas ao Orçamento e os beneficiários dos repasses.
A decisão do magistrado também libera o pagamento das emendas parlamentares de 2025 e dos anos
anteriores, que estavam suspensas, por decisões da Suprema Corte.
O termo de compromisso
do Congresso foi enviado, nesta terça-feira (25), ao ministro, que é
relator dos processos que versam sobre a necessidade de transparência no processo
de pagamento dos recursos do Orçamento público, cuja alocação é indicada por
deputados e senadores.
Planejamento – Pelo plano de trabalho da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, a partir
do exercício financeiro desse ano, não será mais possível empenhar emendas sem a
identificação do parlamentar que indicou o recurso e da entidade que vai
recebê-lo.
Conforme a deliberação de Flávio Dino, não entram na liberação:
- emendas específicas destinadas a Organizações Não
Governamentais (ONG) e entidades do terceiro setor que foram alvo de auditoria
da Controladoria-Geral da União (CGU);
- recursos para a Saúde que não regularizados em contas
bancárias específicas e emendas de bancada;
- emendas de bancada e de comissão que não foram convalidadas
em atas das respectivas comissões e que estejam sem identificação do
parlamentar.
A liminar expedida pelo magistrado já
está em vigor. No entanto, precisa ser referendada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. A data
do julgamento ainda não foi definida.
Entenda – O impasse sobre a liberação dos
recursos começou em dezembro de 2022, quando o STF entendeu que as emendas chamadas de RP8 e RP9 eram inconstitucionais.
Após a decisão da Suprema Corte, o Congresso Nacional aprovou uma resolução mudando as regras de
distribuição de verbas públicas por emendas de relator. O PSOL, partido
que entrou com a ação contra as emendas, apontou, no entanto, que a determinação continuava em descumprimento.
Após a aposentadoria da ministra Rosa Weber, relatora
original do caso, Flávio Dino assumiu a condução do processo. Em agosto de
2024, o ministro deliberou a suspensão
das emendas. Pela decisão, os repasses passaram a precisar seguir critérios de
rastreabilidade.
O magistrado também determinou
que a CGU auditasse os repasses dos parlamentares por meio das emendas
do “orçamento secreto”. Criadas em 2019 e implementadas em 2020, as chamadas
emendas de relator do Orçamento ficaram conhecidas assim por permitirem que deputados
e senadores destinassem recursos saídos diretamente dos cofres da União sem transparência
alguma sobre o destino do dinheiro.
No mês passado, Dino resolveu suspender as emendas parlamentares para Organizações Não Governamentais,
em função, justamente, da falta de transparência, uma vez que isto fere
um dos principais pilares da Administração Pública.
*Com informações da
Agência Brasil.