O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, nesta sexta-feira (28), pedidos para declarar os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin impedidos de julgar a denúncia apresentada, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Este e diversos outros militares são acusados de atentar contra o Estado Democrático de Direito, tramando um golpe.
Esta semana, a defesa
de Bolsonaro protocolou uma petição para que a Suprema Corte reconheça Dino
e Zanin impedidos de participar do julgamento, que ainda não tem data definida.
O impedimento de Moraes foi solicitado pela defesa do general
Walter Souza Braga Netto (PL), também acusado de participação no referido crime
de lesa-pátria.
Os advogados apontaram que Flávio Dino, quando ministro da Justiça e Segurança Pública, nos
primeiros meses do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu entrada em uma queixa-crime
contra Bolsonaro.
No caso de Zanin, a defesa do ex-presidente alega
que, antes de chegar ao STF, o magistrado foi advogado da campanha de Lula,
entrando com ações contra a chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022.
A defesa de Braga
Netto alegou que a acusação de intento de golpe de Estado envolve a
suposta tentativa de assassinato de Alexandre de Moraes. Assim, segundo os
advogados, há "quebra de imparcialidade", o que impediria o ministro de
julgar o caso.
DELIBERAÇÃO – Em sua decisão, o ministro Luís
Roberto Barroso disse que as situações citadas pela defesa de Bolsonaro não são
impedimentos legais contra a atuação dos ministros Dino e Zanin.
No caso de Moraes, o presidente do STF justificou que as alegações
de que o ministro era alvo do plano golpista não o tornam impedido de julgar o
caso. "Os argumentos apresentados pela defesa não permitem considerar que
a autoridade arguida esteja na condição de inimigo capital (mortal) do general Braga
Netto, como sustentado pelo arguente. A notícia de que haveria um plano para o
homicídio do relator, e até mesmo de outras autoridades públicas, não acarreta,
automaticamente, a suspeição de Sua Excelência", disse Barroso.
Primeira turma – As ações de impedimento
foram direcionadas aos ministros porque eles fazem parte da Primeira Turma do STF,
colegiado que vai julgar a denúncia contra Bolsonaro. Esta é composta pelo relator,
Alexandre de Moraes, e pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen
Lúcia e Luiz Fux.
Segundo o regimento interno da Suprema Corte, cabe às duas
turmas do tribunal o julgamento de ações penais. No entanto, como o relator integra
a Primeira Turma, a acusação será julgada por este colegiado.
Se a maioria dos magistrados
aceitar a denúncia, Bolsonaro e os outros acusados se tornarão réus no
processo, passando a responder a uma ação penal no STF.
A data do julgamento ainda não foi definida. Considerando os
trâmites legais, o caso pode ser apreciado ainda no primeiro semestre de 2025.
*Com informações da
Agência Brasil.