A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou, nesta sexta-feira (14), ao Supremo Tribunal Federal (STF), um parecer, manifestando-se contra o recurso da defesa de Jair Bolsonaro (PL) que pedia para derrubar a decisão que negou o afastamento dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin do julgamento da denúncia sobre a trama golpista na qual o ex-presidente está envolvido.
O julgamento de Bolsonaro e de mais sete investigados pela tentativa
de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito ocorrerá no próximo dia 25 de março.
Na última segunda-feira (10), os advogados recorreram da decisão do ministro Luís Roberto Barroso, presidente
do STF, que negou o impedimento dos dois magistrados que compõem a Primeira
Turma da Corte.
No recurso, os advogados de Bolsonaro pedem que o caso seja
julgado pelo plenário do STF, colegiado formados por 11 ministros, dentre eles,
André Mendonça e Nunes Marques, nomeados para a Suprema Corte durante o governo
do ex-presidente.
Em fevereiro, Barroso
julgou que as situações levantadas pela defesa do ex-presidente não são
impedimentos legais contra a atuação dos referidos magistrados.
No parecer emitido ontem, o
procurador-Geral da República, Paulo Gonet, endossou o posicionamento do
presidente do STF, explicando que os
impedimentos de Dino e Zanin não se encaixam na legislação. "Os acontecimentos apontados
pelo agravante como comprometedores da imparcialidade são incompatíveis com as
hipóteses previstas no artigo 144 do CPC [Código de Processo Civil] e no artigo
252 do CPP [Código de Processo Penal]. Além disso, conforme sintetizado na
decisão agravada, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não admite
interpretação extensiva ou ampliativa do rol taxativo de impedimento previsto
na legislação processual penal", escreveu Gonet.
Primeira Turma – As ações
de impedimento foram direcionadas a Dino e Zanin, porque os ministros compõem a
Primeira Turma da Suprema Corte.
Para pedir o afastamento de Flávio Dino, a defesa de Bolsonaro
alegou que o magistrado entrou com uma queixa-crime contra Bolsonaro quando
ocupou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, nos primeiros meses
da atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em relação a Cristiano Zanin, os advogados do ex-presidente
argumentaram que, antes de chegar ao Supremo, o ministro foi advogado da
campanha de Lula, tendo entrado com ações contra a chapa de Bolsonaro nas
eleições de 2022.
*Com informações da
Agência Brasil.