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Justiça

Ex-ministro Carlos Lupi nega envolvimento em fraudes do INSS em depoimento à CPMI

09 de Setembro de 2025 | 10h 06
Ex-ministro Carlos Lupi nega envolvimento em fraudes do INSS em depoimento à CPMI
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, prestou depoimento nesta segunda-feira (9) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante a sessão, conduzida pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Lupi negou participação no esquema e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tinha conhecimento do caso.

Segundo o ex-ministro, apenas com o avanço das investigações da Polícia Federal foi possível compreender a dimensão das irregularidades. “A gente, infelizmente, não tem o poder da adivinhação. Nunca tivemos capacidade de dimensionar o tamanho ou o volume do que esses criminosos fizeram no INSS. Foi só depois da investigação para valer, da PF”, afirmou.

Lupi também negou conhecer personagens apontados como centrais no esquema, como o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele confirmou, no entanto, ter nomeado gestores ligados às áreas investigadas, como Adroaldo da Cunha Portal, ex-secretário do Regime Geral de Previdência, e Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS afastado em julho de 2023. O ex-ministro destacou que a autarquia tem autonomia administrativa e que eventuais responsabilidades caberiam diretamente ao órgão.

Ainda em sua fala, relatou ter recebido entidades de aposentados logo após assumir a pasta, em março de 2023, encaminhando suas demandas ao INSS. O relator da CPMI, entretanto, criticou a demora do ministério em adotar providências diante dos indícios de irregularidades. Lupi afirmou que só a partir de maio de 2023, após reunião entre o INSS e a Polícia Federal, medidas começaram a ser tomadas.

Saída do cargo

Carlos Lupi permaneceu no comando do Ministério da Previdência entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Ele pediu demissão uma semana após a deflagração da operação da Polícia Federal que investiga o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo o ex-ministro, sua saída foi motivada por pressões políticas. “Ficou insustentável pela campanha política que se fez contra mim”, declarou.

A sessão desta segunda-feira foi a mais longa realizada pela CPMI até agora, durando nove horas e contando com a participação de 32 parlamentares.

Investigação da PF

De acordo com a Polícia Federal, as fraudes no INSS tiveram início em 2019 e movimentaram cerca de R$ 6,4 bilhões em seis anos. 

 

  



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