A defesa de Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes, no âmbito do processo que apurou a trama golpista perpetrada após as eleições presidenciais de 2022, solicitou, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação de medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
O pedido foi divulgado no fim da noite desta terça-feira
(23), via rede social, pelo advogado Paulo Cunha Bueno, um dos representantes
do político condenado.
A solicitação se baseia na não inclusão do nome de Bolsonaro na denúncia do procurador-Geral da República,
Paulo Gonet, contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do
ex-presidente, e o jornalista Paulo Figueiredo, neto de João Batista de
Oliveira Figueiredo (1918-1999), último ditador do regime cívico-militar que
vigorou no país entre 1964 e 1985.
O advogado de Jair Bolsonaro alegou que, como seu cliente não
foi denunciado juntamente com o filho e o referido jornalista, "esvazia-se
a necessidade de quaisquer medidas cautelares".
Na denúncia, Gonet acusou o Eduardo Bolsonaro e Paulo
Figueiredo de atuarem para evitar a condenação criminal de Bolsonaro,
estimulando sanções do governo dos Estados Unidos contra o Brasil e ameaçando
“autoridades judiciárias e de outros Poderes, com a promessa de que
conseguiriam de autoridades norte-americanas sanções dispostas para dificultar
e arruinar suas vidas civis”.
Desde a
segunda quinzena de julho, o ex-presidente está obrigado a cumprir medidas
cautelares, como uso de
tornozeleira eletrônica; permanência em recolhimento domiciliar; proibição de
acesso a embaixadas e consulados; proibição de manter contato com embaixadores
e autoridades estrangeiras; e proibição de utilização de redes sociais, direta
ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros.
Em 4 de agosto, Bolsonaro foi posto
em prisão domiciliar porque violou medidas cautelares anteriores. A determinação não guarda relação
com a denúncia oferecida contra Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
Condenado – O
ex-presidente e os demais réus do núcleo central da trama golpista já foram
condenados pela 1ª Turma do STF, no último dia 11 de setembro. No caso de Bolsonaro, a pena foi
definida em 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, pelos crimes de organização
criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de
Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça; e
deterioração de patrimônio tombado.
Com o veredito definido, as prisões do ex-presidente e de seus aliados podem vir a ocorrer ainda
em 2025, após a avaliação dos recursos das defesas, pela Suprema Corte.
*Com informações da
Agência Brasil.