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Justiça

Ação do núcleo 3 mostra intenções ‘homicidas’ de trama golpista, diz PGR

11 de Novembro de 2025 | 18h 22
Ação do núcleo 3 mostra intenções ‘homicidas’ de trama golpista, diz PGR
Foto: Antonio Augusto/STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu, uma vez mais, nesta terça-feira (11), a condenação dos dez réus do núcleo 3 da trama golpista que tentou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder, após o mesmo perder as eleições para o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no pleito de 2022.

Gonet afirmou, categoricamente, que as investigações sobre o referido grupo “escancaram a declarada disposição homicida e brutal da organização criminosa”.

O núcleo é composto por nove militares do Exército e um agente da Polícia Federal (PF), todos acusados de, efetivamente, irem a campo para monitorar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de 2022, com o objetivo de sequestrá-lo e matá-lo ou, conforme a linguagem utilizada pelo procurador, na denúncia, “neutralizá-lo”.

No julgamento, Gonet trouxe uma série de mensagens em que réus do núcleo 3 falavam em “matar” adversários, sobretudo o magistrado. Além de Moraes, foi monitorado o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O plano era, também, matá-lo, assim como o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSDB), antes que os mesmos fossem empossados nos cargos, em janeiro de 2023.

Paulo Gonet destacou que a Polícia Federal encontrou registros documentais do plano Punhal Verde e Amarelo e da operação Copa 2022, que continham detalhes sobre a execução do planejamento golpista.

Outras provas apresentadas pela acusação incluem o deslocamento de celulares e veículos, que teriam sido utilizados, pelos réus, para monitorar Alexandre de Moraes, entre os meses de novembro e dezembro de 2022.

O procurador citou, ainda, o julgamento do próprio Bolsonaro e de mais sete aliados. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, por liderar o complô golpista. Para Gonet, isto “tornou incontroversa a materialidade dos fatos”.

Nesta terça (11), o julgamento do núcleo 3 deve ficar restrito às sustentações orais de acusação e defesas. A Suprema Corte também reservou sessões nos dias 12, 18 e 19 de novembro, para analisar o caso.

O julgamento ocorre na Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, relator e primeiro a votar; Cristiano Zanin; Flávio Dino; e Cármen Lúcia.

Crimes – Assim como os réus dos demais núcleos, os dez acusados do Núcleo 3 respondem pelos crimes de organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça; e deterioração de patrimônio tombado.

Os réus são conhecidos como "kids-pretos", militares que integraram o grupamento de forças especiais do Exército. O grupo foi acusado, ainda, de ter pressionado os comandantes das Forças Armadas a aderirem ao plano golpista, por meio de campanhas de difamação.

São réus do Núcleo 3: Bernardo Romão Correa Netto (coronel); Estevam Theophilo (general); Fabrício Moreira de Bastos (coronel); Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel); Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel); Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel); Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel); Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel); Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel); e Wladimir Matos Soares (policial federal).

No caso de Ronald Ferreira de Araújo Júnior, a PGR pediu que a acusação fosse desclassificada para o crime de incitação das Forças Armadas contra os poderes constitucionais. Com a medida, o acusado poderá ter direito a um acordo para se livrar de condenação. Atualmente, ele responde aos cinco crimes imputados a todos os réus.

 

 


 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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