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Justiça

PF faz buscas na Câmara dos Deputados; alvo seria ex-assessora de Arthur Lira

12 de Dezembro de 2025 | 16h 47
PF faz buscas na Câmara dos Deputados; alvo seria ex-assessora de Arthur Lira
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência

Agentes da Polícia Federal (PF) cumpriram, nesta sexta-feira (12), mandados de busca e apreensão na Câmara dos Deputados. O alvo seria Mariângela Fialek, mais conhecida como “Tuca”. Ela foi assessora do deputado Arthur César Pereira de Lira (PP-AL), no período em que o parlamentar presidiu a Casa Legislativa, entre 2021 e 2025.

Conforme a corporação, as diligências foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito aponta a ex-assessora como responsável por enviar ordens para comissões, determinando a liberação de emendas parlamentares do chamado “orçamento secreto”, como ficou conhecida a destinação de verbas públicas sem identificação do político que fez a indicação ou dos beneficiários finais.

As investigações tiveram como ponto de partida o depoimento de seis deputados e de outra servidora. Segundo os relatos, Mariângela Fialek encaminhava, a comissões, ofícios da Presidência da Câmara, ordenando a liberação de emendas, em especial para Alagoas, estado de origem do parlamentar.

A ex-assessora de Lira, que, atualmente, possui um cargo no gabinete da presidência do PP na Câmara dos Deputados, já havia tido o sigilo telemático quebrado, mas a PF apontou a necessidade de realizar buscas, após constatar a ausência de mensagens salvas em aparelhos ou nuvens de dados, embora tenha encontrado indícios de prática criminosa.

Ao expedir as ordens judiciais, Dino justificou a medida “ante a concreta possibilidade de que a representada tenha adotado condutas voltadas a impedir a realização de backup de seus dados mais sensíveis em ambiente de nuvem, mantendo acervo em meios físicos (papéis, máquinas, etc)”.

O ministro destacou, ainda, que os indícios apontam para “uma atuação contínua, sistemática e estruturada”, na organização do orçamento secreto. Sendo assim, o magistrado afirmou que as buscas em gabinete da Câmara dos Deputados se justificavam “pelo fato de manter maior potencial probatório, considerando que as ações sob suspeita seriam empreendidas, justamente, no contexto da rotina de desempenho funcional da investigada na Casa Legislativa”.

Flávio Dino também é relator de uma ação em que o STF vedou as práticas do orçamento secreto, obrigando que a Câmara adotasse critérios mínimos de transparência e rastreabilidade do dinheiro público até o destinatário final. Atualmente, tramitam, na Suprema Corte, variadas investigações sobre desvios de recursos de emendas parlamentares oriundas do orçamento secreto.

Conta de padaria – A participação de Tuca na organização e imposição do orçamento secreto foi relatada à PF por seis parlamentares: os deputados Glauber Braga (Psol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG).

De acordo com Dino, as falas reforçam a suspeita de que havia “redirecionamento forçado” de recursos de emendas, por parte de Lira. Em relatório parcial, a PF destacou como, desde 2020, Tuca ocupou diversos cargos estratégicos em empresas públicas e no Legislativo, sempre por indicação de Lira, que a permitissem manipular o direcionamento de emendas.

Após encontrarem uma anotação à mão, que coincide com o direcionamento de emendas, os investigadores destacaram “o incomum desapego à formalidade” na formulação do Orçamento da União. “Uma anotação à mão, realizada de maneira rudimentar, foi responsável pela realocação de recursos de um Município para outro. Lamentavelmente, não há como não comparar a maneira de controlar e organizar o orçamento secreto coordenado por TUCA a uma ‘conta de padaria’”, escreveram os investigadores.

 

 

 

 

 


 

*Com informações da Agência Brasil.



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