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Justiça

Funai solicita apoio da Polícia Federal para investigar emboscada no Pará

16 de Dezembro de 2025 | 17h 55
Funai solicita apoio da Polícia Federal para investigar emboscada no Pará
Foto: Gilvan Alves/TV Brasil

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou, nesta terça-feira (16), que o assassinato do vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, que estava a serviço do órgão durante uma operação de desintrusão na Terra Indígena (TI) Apyterewa foi uma emboscada.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) solicitou apoio de agentes da Polícia Federal (PF) na região. Segundo a entidade, eles já estão a caminho da base localizada na terra indígena, próximo ao distrito da Taboca, São Félix do Xingu.

A PF informou que já colocou equipes para realizar diligências no local. O caso está sendo investigado pela delegacia da corporação situada no município de Redenção, estado do Pará (PA).

O vaqueiro, de 38 anos, foi alvejado no pescoço, nesta segunda-feira (15), em São Félix. Na ocasião, a vítima auxiliava o Ibama no deslocamento de cerca de 350 cabeças de gado para fora de uma área invadida.

A operação de desintrusão seguia o cumprimento de ordem judicial proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF nº 709).

A ação foi ajuizada, em 2020, pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), durante a pandemia de Covid 19, justificada pela situação de vulnerabilidade dos indígenas que viviam na região invadida ilegalmente, por pecuaristas e garimpeiros. Desde então, o poder público tem atuado para retirar os invasores.

TOCAIAA emboscada contra Marcos Antônio da Cruz ocorreu durante uma das ações de desintrusão determinadas pelo STF. Entre os órgãos que participam do cumprimento dos mandados judiciais, estão o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Funai, além do Ibama, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Força Nacional (FN), Polícia Civil (PC) e Polícia Militar (PM).

De acordo com a Funai, a situação é preocupante. O órgão salientou, no entanto, que os servidores estão em segurança, alocados em uma de suas bases de apoio. Há indícios de que a tocaia tenha sido feita por “antigos moradores da TI, que ainda invadem o local para criação ilegal de gado”. A entidade não citou, nominalmente, quem seriam essas pessoas.

Caminhos da Reportagem – Uma equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, esteve, recentemente, na terra indígena, preparando material a ser utilizado em um programa especial sobre a desintrusão da região.

Conforme a repórter Ana Passos, o vaqueiro foi baleado no pescoço por volta das 14h. Ela contou que mais de 2 mil pessoas envolvidas com criação de gado e cultivo de cacau já haviam sido retiradas do território. “Apesar de os produtores rurais já terem sido retirados da área, há um gado remanescente. O Ibama detectou mais de 40 pontos onde ainda há bovinos. Alguns invasores continuam tentando entrar lá, pra manejar esse gado. Eles vêm fazendo atentados contra os indígenas e contra os agentes do Estado. Um funcionário da Funai chegou a ser baleado, no ano passado”, detalhou.

A jornalista informou, ainda, que os invasores costumam queimar pontes e deixar estruturas pontiagudas, nas estradas, com a finalidade de furar os pneus dos carros oficiais. “É uma ação complexa, porque esse gado está em áreas da mata por onde não é possível chegar de carro. Às vezes, nem de quadriciclo”, destacou.

Apuração – Em nota, o Ibama informou que medidas cabíveis para a apuração do crime já foram adotadas, “com o objetivo de identificar os responsáveis e promover sua devida responsabilização, nos termos da lei”.

O órgão disse, ainda, lamentar “profundamente o ocorrido” e manifestou “solidariedade aos familiares e amigos da vítima”. Também ressaltou que “está prestando o apoio necessário à família, neste momento de dor”.

 

 

 

 


 

*Com informações da Agência Brasil.



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