O Tribunal de Contas da União (TCU) aceitou o recurso que Banco Central (BC) apresentou contra a determinação do ministro-relator do caso da liquidação do Banco Master, Jhonatan de Jesus, de inspecionar o órgão regulador do mercado financeiro. O procedimento foi suspenso e será submetido ao plenário da Corte de contas.
A medida veio em resposta aos embargos de declaração
apresentados pelo Banco Central, que questionavam a determinação do
procedimento por um único juiz, ao invés de um processo de deliberação
colegiada.
A decisão foi assinada pelo próprio relator, que não
reconheceu o uso de embargos de declaração pelo Banco Central como instrumento
jurídico adequado ao processo. Assim,
optou por aplicar juridicamente o Código do Processo Civil, a fim de suspender
o processo.
A mesma legislação também possibilitaria a rejeição do
instrumento apresentado pelo Banco Central, por meio, somente, da decisão do
ministro-relator, explicou Jhonatan de Jesus.
De acordo com o despacho do
relator, a ampla divulgação do caso do Banco Master fez com que ele decidisse
submeter a decisão ao plenário do TCU. “Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com
contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta
Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário,
instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria”, afirmou.
Impasse – O impasse sobre a inspeção do Banco
Central começou quando o ministro Jhonatan de Jesus acolheu a representação
formulada pelo Ministério Público Federal (MPF) junto ao TCU, com pedido de
investigação de possíveis falhas na supervisão exercida pelo Banco Central
sobre o Banco Master e suas controladas, culminando na decretação de sua liquidação extrajudicial.
No processo, o relator considerou
insuficiente uma nota técnica apresentada pelo órgão regulador do mercado
financeiro, como forma de esclarecer pontos considerados relevantes para
avaliar o fluxo que levou à decisão de liquidar extrajudicialmente o Banco
Master e determinou a inspeção.
ENTENDA – O Master teve as atividades encerradas, oficialmente, pelo
Banco Central, no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, com o intuito
de investigar fraudes financeiras responsáveis pela movimentação de R$ 17
bilhões, por meio da emissão e venda de títulos de créditos falsos.
Um dos sócios do Banco Master,
Daniel Vorcaro, chegou a ser detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, um
dia após a Fictor Holding Financeira anunciar a compra do Master.
Quatro sócios de Vorcaro também foram presos: Augusto
Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio
Ribeiro da Silva. Todos foram autorizados pela Justiça Federal a responder o processo em
liberdade, mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica. Eles estão
proibidos de exercer atividades no setor financeiro, de ter contato com outros
investigados e de sair do país.
*Com informações da
Agência Brasil.