Feira de Santana sempre teve obras empacadas. Algumas delas
estão sendo resolvidas pelo governador Jerônimo (Amélio Amorim, Auditório da Uefs,
duplicação da Contorno, Aeroporto) e pelo prefeito Ronaldo (Biblioteca Arnold
Silva). Outras seguem empacadas: Lagoa Salgada, BRT e saneamento básico. Ao
lado das antigas, soma-se uma nova: o prédio anexo da Câmara, que segue
inconcluso.
Recentemente, o presidente da Câmara prorrogou por mais 30
dias o prazo para conclusão dos trabalhos da Comissão Especial criada para
apurar as razões pelas quais as obras foram interrompidas há um ano, na gestão
anterior. A sindicância sobre as obras do anexo da Câmara Municipal de Feira de
Santana, na Bahia, surgiu devido a questionamentos de vereadores sobre os
valores gastos e irregularidades.
Segundo o Acorda Cidade, ao ser questionado sobre o andamento
da obra de reforma do prédio anexo da Câmara, o presidente explicou que a
unidade já passou por uma auditoria, cujos resultados foram amplamente
divulgados, e que a nova mesa diretora convocou por três vezes a empresa
responsável pela obra para que ela pudesse retomar as atividades, o que, até o
momento, segundo Marcos Lima, não aconteceu.
“O Ministério Público (MP) nos acionou, e nós levamos ao conhecimento
deles o resultado da auditoria que foi feita. Levamos as documentações e a
convocação que fizemos da empresa para que pudesse retornar, e ela não
retornou. Ficou certo que o MP convocaria a empresa para buscar justamente o
retorno; caso a empresa não retorne, o próprio Ministério Público fará os
encaminhamentos necessários”, disse o presidente da Câmara.
“Na auditoria, ficou comprovado que houve um valor de quase
um milhão e meio que foi pago a essa empresa, e ela não executou os serviços.
Então, nós solicitamos que ela retornasse para poder finalizar e entregar o que
foi pago pela Câmara Municipal, o que não foi realizado. Não foi encontrado o
gerador [no valor de cerca de R$ 100 mil], e ainda não foram encontrados alguns
aparelhos de ar-condicionado e portas de blindex. Eles alegam que isso só seria
colocado no final, mas foi pago, e eu precisava ver esse material; não tenho
visto nem no prédio anexo nem em outro local”, complementou Lima.
Empurra para cá, empurra para lá, o que o cidadão feirense
precisa é que seja esclarecida a aplicação correta dos recursos municipais e
quem se beneficiou de desvios, caso tenham ocorrido. O que não pode acontecer —
nem ser cozido em banho-maria até ser esquecido — é a obra permanecer
inconclusa com recursos já repassados à construtora! Ou, então, que ela seja
acionada para devolver.