O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nesta segunda-feira (12), o cumprimento do restante da pena imposta ao hacker Walter Delgatti Neto em regime semiaberto. A decisão atende ao pedido feito pelos advogados do réu.
A defesa alegou que o hacker
já cumpriu mais de 20% da pena de oito anos e três meses de prisão de reclusão,
à qual foi submetido pela Primeira Turma do STF, em maio de 2025.
Delgatti foi considerado culpado por ter invadido e inserido documentos fraudulentos no sistema eletrônico do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incluindo um mandado de prisão e uma
ordem de quebra de sigilo bancário contra o ministro Alexandre de Moraes.
Nesta mesma ação, a
ex-deputada federal Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão e à perda
de mandato parlamentar, por ordenar a prática dos crimes de invasão de
dispositivo informático e falsidade ideológica praticados pelo hacker.
PGR foi a favor – Delgatti está preso em regime fechado
desde agosto de 2023. No último dia 22,
a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favorável à progressão de
regime.
De acordo com o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, o
hacker já havia cumprido, à época,
mais de um ano e 11 meses de prisão, ou o equivalente a 20% da pena, tendo,
portanto, direito à progressão para o semiaberto.
Além disso, diz Gonet, “o atestado de conduta carcerária
emitido pela unidade prisional atesta que o reeducando Walter Delgatti Neto
apresenta bom comportamento carcerário. Dessa forma, estão atendidos os
requisitos objetivos e subjetivos exigidos para a progressão de regime
prisional”, opinou o titular do órgão, em resposta a um pedido de Alexandre de
Moraes, relator do caso no STF.
Hacker pode voltar à prisão – Na decisão tomada hoje, Moraes
destacou, ainda, que, de fato, Delgatti atende aos requisitos legais e têm
direito a acessar “regimes menos rigorosos”, mas que voltará ao regime fechado
se for condenado em outro processo ou vier a praticar novo crime doloso ou
falta grave.
O réu ainda responde a outro processo. Neste, ele foi acusado
de invadir as contas pessoais de autoridades públicas, como é o caso do então
juiz federal Sergio Moro e de procuradores da República. Delgatti teria
invadido contas no Telegram, vindo a promover o vazamento do conteúdo das
conversas obtidas ilegalmente.
O Poder Judiciário já o condenou,
em primeira instância, a 20 anos de prisão. Como, neste caso, ainda cabem recursos, o hacker ainda não começou a cumprir a
sentença.
*Com informações da Agência
Brasil.