A semana começa com uma tremenda novidade no cenário político baiano: o senador Otto Alencar (PSD), em entrevista, garantiu que, caso deseje, o senador Ângelo Coronel (PSD) disporá da legenda para lançar candidatura avulsa ao Senado. Como se sabe, o petismo deseja rifar Coronel, lançando os nomes dos ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa para as duas vagas disponíveis em 2026.
Coronel ascendeu ao Senado como beneficiário de uma manobra semelhante em 2018: naquele ano, a concertação da chapa vitoriosa envolveu a exclusão da então senadora Lídice da Mata (PSB) para a inclusão de Coronel, indicado por Otto Alencar. Pelo visto, o atual senador não deseja repetir o enredo, desta vez figurando como excluído.
Quem acompanha a política baiana sabe que o PSD não é o PSB, nem Coronel é Lídice da Mata. Sustentáculo de centro-direita no consórcio petista que governa a Bahia há 20 anos, o PSD elegeu 115 dos 417 prefeitos baianos em 2024, ocupa postos importantes Executivo estadual e dispõe de bancada numerosa na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.
Caso Rui Costa e Jaques Wagner não recuem – e Coronel mantenha a disposição da candidatura avulsa – o embate será bom nas eleições. Os petistas recorrerão à figura de Lula para vitaminar suas candidaturas; Coronel contará com a retaguarda pessedista e com o trânsito grande – segundo se comenta – entre dezenas de prefeitos baianos.
A chamada chapa puro-sangue petista – o governador Jerônimo Rodrigues é candidato à reeleição, frise-se – não deixa de revelar certa prepotência petista. Afinal, julgam-na imbatível, capaz de alavancar a reeleição do presidente Lula (PT) aqui na Bahia.
Quem se arvora a opinar sobre política não se deve se restringir às conversas com os atores políticos e o eleitorado esclarecido, nem somente à leitura do que os jornalistas escrevem ou dizem. É preciso o sentimento da rua, aquele que o povo transpira. Captá-lo é um exercício constante e, também, fascinante.
Na Feira de Santana e na Bahia, quem conversa nas feiras-livres, nas esquinas, nos bares, nos pontos de ônibus e nas periferias sabe muito bem que o chamado povão é muito mais lulista que petista. Não foi o PT da Bahia que alavancou Lula em 2022. Foi o contrário: Lula foi quem impulsionou os candidatos da legenda aqui no estado.
Pelo jeito, os caciques do petismo baiano não aprenderam – ou ignoraram – a lição. É o que sinaliza, até aqui, a chapa puro-sangue. A sorte deles é que ainda há tempo para aprender...