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César Oliveira

Não existe amizade em boca de urna

02 de Fevereiro de 2026 | 17h 28
Não existe amizade em boca de urna

A Bahia tem se mostrado um estado estratégico para as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sempre conferindo uma alta porcentagem de votos, superior àquela recebida pelo próprio governador do partido. Essa dinâmica gera um “recall” eleitoral que, embora não se traduza em retornos proporcionais ao eleitor baiano, é fundamental para a estruturação das candidaturas do PT. O Senado tornou-se um espaço crucial no Congresso Nacional, sendo responsável por decisões fundamentais, como impeachment, aprovação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e indicação do Procurador-Geral da República (PGR). Dominar o Senado tornou-se um pilar essencial para o exercício do poder governamental. O Partido dos Trabalhadores (PT), sob a liderança de Lula, reconhece essa realidade e busca indicar candidatos com alta viabilidade eleitoral para o Senado.

Aqui na Bahia, o PT optou por indicar Jacques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado  ambos com desempenho favorável em pesquisas eleitorais. Contudo, existia um entrave significativo: o senador Ângelo Coronel, ex-carlista, aliado fiel de Otto Alencar(PSD). Jerônimo Rodrigues, atual governador da Bahia, tem o direito natural  à candidatura e à reeleição, o que tornava impositiva a formação de uma chapa puro sangue. Apesar de várias opções terem sido oferecidas a Coronel, a atratividade do Senado, com seu grande poder, influência econômica, elevado grau de preservação  e mandato longo de oito anos, faz com que todos queiram manter seu lugar.

 Era evidente que o PT decidiria pelo afastamento de Coronel, considerando que já tinham lhe concedido um mandato em troca do apoio do PSD e de Otto Alencar. O que surpreendeu foi a postura do Senador  Otto Alencar, que, ao manteve seu partido aliado ao PT, emplacou um filho no Tribunal de Contas ainda que as custas de  se afastar do aliado. Otto Alencar, ao descartar Coronel sob diversas  e frágeis alegações, deu uma lição clara: “na boca da urna não existe amizade”. 



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