Exatamente na sexta-feira, escrevi aquele que viria a ser o último capítulo, de número 5, da série envolvendo o senador Ângelo Coronel e o PT. "Candidato avulso no PSD, ou filiado a outra legenda, senador deve encerrar aliança com trio de ferro". Este foi o título do artigo. No dia seguinte, ele anunciou que estava deixando o PSD para muito provavelmente disputar a reeleição por uma outra legenda, do grupo de oposição, é claro, o que significa o seu rompimento político com o governador Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner e o ministro-chefe da Casa Civil do presidente Lula, Rui Costa.
Evidentemente, foi uma coincidência. Havia uma previsão de que isto viesse a ocorrer, não parecia haver outra alternativa. Mas não com aquela rapidez. Irritado, impaciente e decepcionado, Coronel preferiu não esperar ou pagar pra ver. Afinal, seu destino estava selado fazia algum tempo, desde que Rui anunciou o desejo de se candidatar ao Senado. Sobraria pra ele ou para Wagner, que também cobiça a reeleição. Lógico, o ex-presidente da Assembleia Legislativa levava uma enorme desvantagem.
Somente haveria uma possibilidade de Coronel ter alguma chance de manter-se um dos candidatos do grupo ao Senado, preservando seu direito, entre aspas, de busca da reeleição: Otto Alencar lhe ser solidário e ameaçar sair junto, caso o colega de legenda fosse mesmo defenestrado. Isto, talvez, impusesse ao "trio de ferro" do PT pensar em uma outra solução. Mas não aconteceu. O cacique do PSD na Bahia, amigo do dirigente nacional Gilberto Kassab, como bom atacante do futebol que busca livrar-se de uma perigosa dividida, evitou o choque.
Dizem as más línguas que, para não deixar qualquer brecha para uma revolta de Otto, os petistas providenciaram um afago no poderoso senador, o convite para que seu filho assumisse o almejado cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O jovem não pensou duas vezes: deixou imediatamente o cargo de deputado federal e já está, como ele disse à imprensa esta semana, "muito bem" adaptado à nova função.
É importante observar, nada existe de anormal na posição adotada por Otto pai. Direito inalienável dele permanecer onde está, independentemente da atitude do seu compadre. Até porque, se ele viesse a deixar o grupo que se encontra no poder, isto poderia lhe custar muito caro. Portanto, é compreensível que não tenha forçado a barra para Coronel ser candidato na chapa governista, o que parece estar sendo digerido sem maiores traumas pelo próprio amigo.
Mas, e agora, para onde vai Coronel? Vai pra oposição, isto é certo. Resta saber qual legenda irá escolher. Sim, escolher. Com o razoável arsenal que conseguiu montar nos oito anos de Senado, ele tem um certo cabedal e, portanto, vem sendo cortejado não apenas pelo União Brasil. É decisão para ser tomada com brevidade. Quanto mais tempo ele perde, pode se tornar mais complicada a operação.