Repercutiu bastante, inclusive aqui na Tribuna Feirense, a divulgação de um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), indicando que a Feira de Santana ocupa a 97ª colocação em termos de arrecadação no Brasil. Isso considerando o ano-base de 2024. Da Bahia, figuram na mesma lista Salvador – na 14ª posição – e Camaçari, ocupando o 46º lugar. Segundo o levantamento, os 100 maiores municípios são responsáveis por 77% da arrecadação dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
Em termos de arrecadação a Feira de Santana também se sobressai no Nordeste, liderando o ranking entre os municípios do interior. No levantamento, o município figura com R$ 2,77 bilhão em receitas tributárias. O ranking, obviamente, é liderado pelas cidades localizadas nas regiões Sul e Sudeste, eixo dinâmico da economia brasileira.
A posição da Feira de Santana se deve à sua condição de polo econômico, sobretudo nos segmentos de comércio e de serviços. A população superior a 600 mil habitantes e o significativo afluxo de consumidores de municípios vizinhos ajuda a dinamizar a economia feirense e, por consequência, a arrecadação tributária.
É bom destacar que a Feira de Santana possui a 35ª maior população entre os municípios brasileiros, mas figura apenas na 97ª colocação em arrecadação. O que isso significa? Que a economia feirense é menos dinâmica do que a economia de boa parte dos municípios do seu porte, muitos deles localizados no já mencionado eixo Sul-Sudeste.
O que explica o menor dinamismo relativo da economia feirense? Em parte, a modesta participação percentual da indústria no PIB municipal, na comparação com o comércio e os serviços. Este segmento, a propósito, envolve produtividade menor do que a da indústria, o que ajuda a explicar o desempenho mais modesto da economia feirense.
Adicionalmente, é necessário apontar a modestíssima participação do setor primário na economia feirense. Enquanto diversos municípios tem sua economia baseada no moderno agronegócio, a Feira de Santana não dispõe de agropecuária com porte empresarial e sobrevive, em grande medida, da agricultura familiar.
Note-se que, em termo de Produto Interno Bruto – PIB feirense, por exemplo, é o 4º maior da Bahia, perdendo a terceira colocação para São Francisco do Conde. O valor soma R$ 21,8 bilhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2023. O PIB é o somatório de riquezas produzidas num determinado intervalo em um local específico.
O PIB per capita – a soma das riquezas divididas pela população – reflete também este contexto. Em 2023 – os dados são do IBGE - o PIB feirense alcançou R$ 35.449,37, o que situa o município numa modestíssima 2348ª colocação entre os mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
Assim, os números frequentemente divulgados sobre a economia feirense, situando-a em posição privilegiada no Brasil refletem muito mais o seu porte que, propriamente, o seu desempenho relativo. Se no coletivo a Princesa do Sertão vai bem – PIB e arrecadação – no individual - PIB per capita – é necessário avançar muito.