O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quinta-feira (5), a existência de mandato para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, entretanto, caberia ao Congresso Nacional, conforme o governante.
Lula ressaltou, também, que isso não deve ter relação com a tensão entre os Poderes da República, desencadeados pelo julgamento da tentativa de golpe arquitetada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e apoiadores, que culminou na invasão das sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.
O presidente salientou
que a questão do mandato para a Suprema Corte já constava do programa de
campanha do PT em 2018, quando Fernando Haddad concorreu à Presidência da
República. “Eu acho que tudo precisa mudar e nada está livre de
mudança”, observou o político, em entrevista ao Portal UOL.
Lula explicou que considera muito tempo de exercício para um ministro
que ingressa no STF pelas regras atuais. “Eu acho que não é justo uma pessoa
entrar com 35 anos e ficar até 75 anos. É muito tempo. Então, eu acho que pode
ter um mandato. Mas isso é um processo a ser discutido com o Congresso
Nacional, que não tem nada a ver com o que aconteceu no 8 de janeiro ou com o
julgamento do 8 de janeiro”, opinou.
Para Lula, o referido julgamento foi “a maior lição de que as
instituições têm respeitabilidade” no Brasil. “Nem a pressão do presidente Trump
fez com que a Suprema Corte mudasse de posição. Isso é um valor incomensurável
para um país democrático”, destacou.
O governante também defendeu a instituição de critérios para
a escolha de novos ministros, a partir da “solidez de conhecimento jurídico e
de cumprimento da Constituição”.
A declaração vem em um momento em que membros do Supremo Tribunal
Federal são criticados, publicamente, pela condução das investigações
envolvendo as fraudes no Banco Master.
Esta semana, em discurso na abertura do Ano Judiciário de
2026, o presidente do STF, Edson Fachin, colocou como prioridade a preservação da integridade do tribunal e anunciou a criação
de um Código de Ética para os
magistrados, com a relatoria da ministra Cármen Lúcia.
O STF é composto por 11 ministros. Eles são indicados pelo
presidente da República e devem passar por sabatina na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado Federal, além de ter o nome aprovado em votação no
plenário da Casa Legislativa.
Hoje, há uma vaga na cadeira então ocupada pelo ministro Luís
Roberto Barroso, que anunciou a aposentadoria antecipada e deixou o STF em
outubro de 2025.
Para ocupar a vaga de Barroso, Lula indicou o advogado-Geral da União, Jorge Messias. O Senado aguarda
o envio da mensagem presidencial, formalizando a indicação, para marcar a
sabatina.
*Com informações da
Agência Brasil.