Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, quarta, 01 de abril de 2026

Emanuela Sampaio

Jejum intermitente entra no radar de quem deseja engravidar, mas especialistas fazem alerta sobre impactos na fertilidade

01 de Abril de 2026 | 12h 35
Jejum intermitente entra no radar de quem deseja engravidar, mas especialistas fazem alerta sobre impactos na fertilidade
Dra Isa Rocha é médica do IVI Salvador

Em meio ao crescente interesse por práticas de bem-estar e longevidade, o jejum intermitente deixou de ser apenas uma estratégia alimentar voltada para emagrecimento e passou a ocupar espaço em discussões mais amplas, inclusive quando o assunto é fertilidade. Cada vez mais presente na rotina de quem busca equilíbrio metabólico, o método levanta uma questão importante: até que ponto a restrição alimentar pode influenciar o desejo de ser pai ou mãe? A resposta, segundo especialistas, ainda não é simples e passa, necessariamente, por uma análise cuidadosa do funcionamento do organismo.

Isso porque o jejum intermitente, caracterizado pela alternância entre períodos de alimentação e de abstinência, provoca uma série de mudanças hormonais e metabólicas no corpo. Entre os efeitos mais conhecidos estão a redução dos níveis de insulina, que pode melhorar a sensibilidade ao hormônio e favorecer o controle glicêmico, e o aumento da produção do hormônio do crescimento, associado à regeneração celular. Por outro lado, também pode haver elevação do cortisol, conhecido como hormônio do estresse, o que, em algumas pessoas, desencadeia efeitos como irritabilidade, fadiga e alterações no sono. “Estamos falando de uma prática que mexe diretamente com hormônios importantes para o funcionamento do corpo como um todo. Quando o foco é fertilidade, esse impacto precisa ser observado com ainda mais cuidado”, explica a médica Isa Rocha, do IVI Salvador.

No campo da fertilidade, o cenário exige atenção. Em homens, alguns estudos indicam que o jejum intermitente pode contribuir para a melhora de parâmetros metabólicos e até favorecer a produção de testosterona, especialmente em casos de pacientes com sobrepeso, além de possíveis impactos positivos na qualidade do sêmen, quando associado a mudanças consistentes no estilo de vida. No entanto, o excesso pode inverter esse efeito: jejuns prolongados ou muito frequentes tendem a reduzir os níveis hormonais, afetando não só a energia e a performance física, como também a saúde reprodutiva.

Entre as mulheres, a resposta do organismo costuma ser mais sensível. A prática, sobretudo quando mais restritiva, pode interferir diretamente no eixo hormonal responsável pela ovulação, provocando alterações em hormônios como estrogênio, progesterona, LH e FSH. Na prática, isso pode se traduzir em ciclos menstruais irregulares ou até na ausência deles. Além disso, o corpo pode interpretar o jejum como um sinal de estresse e, diante disso, priorizar funções essenciais à sobrevivência, deixando em segundo plano processos como a reprodução. “Se o corpo entende que está sob algum tipo de ameaça ou escassez, ele naturalmente prioriza a sobrevivência. A ovulação pode ser impactada nesse processo”, destaca a especialista.

Há, ainda, contextos específicos que exigem uma análise mais criteriosa. Em mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), por exemplo, o jejum pode trazer benefícios quando bem orientado, especialmente por ajudar na redução da resistência à insulina, um dos fatores associados à condição. Mas o efeito não é universal: dependendo da intensidade e da forma como é conduzido, a prática pode agravar desequilíbrios hormonais já existentes. Isso vale também para pessoas com alterações na tireoide, já que o jejum pode interferir no funcionamento da glândula, impactando diretamente o ciclo menstrual e a ovulação.

Diante desse cenário, a principal recomendação dos especialistas é clara: mais do que seguir tendências, é fundamental considerar a individualidade de cada organismo e buscar acompanhamento adequado antes de adotar qualquer estratégia alimentar restritiva, especialmente quando há o desejo de engravidar. Ajustes no estilo de vida podem, sim, contribuir para a saúde reprodutiva, mas nem sempre são suficientes para resolver todos os quadros de infertilidade. Nesses casos, a medicina reprodutiva surge como uma aliada importante, oferecendo investigação aprofundada e tratamentos personalizados capazes de ampliar as chances de gestação. “Como a gente sempre reforça no consultório, cada corpo se comporta de uma maneira individual. Não é porque pode aumentar a testosterona que será positivo para todos os homens, nem significa que será negativo para todas as mulheres. Cada caso precisa ser avaliado de forma personalizada, sempre com acompanhamento adequado”, conclui a Dra. Isa Rocha.

 

Sobre o IVI – RMANJ

IVI nasceu em 1990 como a primeira instituição médica na Espanha especializada inteiramente em reprodução humana. Atualmente são em torno de 190 clínicas em 15 países e 7 centros de pesquisa em todo o mundo, sendo líder em Medicina Reprodutiva e o maior grupo de reprodução humana do mundo.



Emanuela Sampaio LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

charge do Borega

As mais lidas hoje