Nos últimos tempos, é comum a mistura de política e religião, aqui no Brasil e mundo afora. Espertalhões fantasiados de líderes religiosos agadanham acólitos, conjuram transações tenebrosas escudados pelo histriônico discurso da fé e, cada vez mais, abocanham nacos crescentes de poder, tornando-se figurões nas repúblicas, mandando e desmandando. Nesta bandalheira, Jesus Cristo, coitado, é completamente desfigurado.
A última do gênero foi
protagonizada pelo mais destacado candidato a anticristo: Donald Trump, que, do
nada, resolveu se travestir de Jesus Cristo, numa imagem gerada por
Inteligência Artificial (IA). Isso depois de dirigir virulentos ataques ao Papa
Leão 14, que ousou contestar a matança promovida pelos Estados Unidos e por
Israel no Oriente Médio.
Muita gente diz que o
anticristo já está encarnado e vive por aí, pelo mundo. A crença prolifera pela
Internet e sempre ressurge em momentos de tensão e incerteza. Há tempos, não
aparecia um candidato tão bem talhado para o papel: além de travestir-se de
Jesus Cristo, deflagra guerras sanguinárias, persegue, prende e julga-se uma
espécie de imperador do mundo, a quem todos devem vassalagem.
Aqui no Brasil, tempos
atrás, apareceu um outro. Mas, a este, faltavam requisitos essenciais: além de
covarde, reunia a preguiça, a limitação cognitiva e o cinismo. Mesmo assim,
tiveram a pachorra de fotografá-lo posando de Cristo, numa cama de hospital, doentinho,
com uma legenda que é um sarro: “ele sangrou por nós”.
Sim, com Trump e seus
aliados, o mundo está do jeito que o diabo gosta. Pior do que a guerra em si –
infelizmente, ao longo da vida, vamos nos acostumando a vê-las – é a certeza de
que insensatos a conduzem, sabe Deus com que possível desfecho. Uma bomba
atômica, por exemplo, figura entre os possíveis epílogos.
Do jeito que o mundo está,
é melhor Jesus Cristo ficar por lá, ao lado do Pai...