Bonfim de Feira é o distrito mais a oeste da Feira de
Santana. Também é um dos mais distantes da sede do município: pouco mais de 30
quilômetros. Para chegar até lá é necessário deixar a cidade pela BR 116 Sul e,
mais à frente, após a ponte sobre o Rio Jacuípe, seguir à direita pela Estrada
do Feijão, a BA 052. Percorrendo mais alguns quilômetros, alcança-se o acesso
mais à frente, num retorno sinalizado. Bonfim de Feira faz fronteira com
Anguera, Serra Preta e Ipecaetá, municípios vizinhos.
Em Bonfim de Feira a herança cultural da pecuária parece ser
mais acentuada que nos demais distritos feirenses. É que, por lá, muitas
décadas atrás, havia criatório e fazendas de gado extensas, propriedades da
antiga elite rural feirense. Lá também era caminho de boiadas e boiadeiros. A
igreja imponente e o casario acanhado, ainda hoje de pé, testemunharam a época
em que o distrito viveu o seu apogeu.
Inteiramente imerso na caatinga, Bonfim de Feira fica próximo
de serras que se estendem em direção a Anguera, a Serra Preta e Ipirá, a
Ipecaetá também. Lá estão, silenciosas e azuladas nos dias de estio, a Serra da
Caboranga (570 metros de altitude), a Serra do Sebastião (435m), a Serra da
Guariba (599m) e, mais distante, a Serra da Caboronga (589m), mais perto de
Anguera.
Assim como na Matinha, a população de Bonfim da Feira é
majoritariamente negra, de acordo com o Censo 2022 do IBGE: pardos (1.418)
somam-se aos pretos (1.354), totalizando 2,7 mil afrodescendentes. Os brancos
somam apenas 122 pessoas. Não há, por lá, indígenas ou amarelos.
O distrito soma só 2.895 pessoas, distribuídas por 85,5
quilômetros quadrados. A densidade populacional é muito baixa: só 33,8
habitantes por quilômetro quadrado. Boa parte das residências localiza-na na
porção urbana do distrito: 1.910 ou cerca de 66%. Os 985 restantes
distribuem-se pelos vastos espaços rurais.
As mulheres são maioria: há 1.520 delas e 1.375 homens. O
analfabetismo permanece como um desafio: 1.668 pessoas são alfabetizadas, o que
representa 75,2% dos moradores. Por outro lado, 549 pessoas – quase 25% dos
maiores de 10 anos – não sabem ler e escrever.
A população de Bonfim de Feira envelhece: cerca de 12% dos
residentes tem idade superior a 60 anos. Note-se que, nestas faixas etárias, a
quantidade de mulheres é bem superior à de homens. Até os 14 anos de idade,
também há cerca de 12% de crianças e adolescentes. Ou seja: para cada criança,
há um idoso.
Na faixa etária dos 30 aos 49 anos também há cerca de 12% de
homens e mulheres. Há, percentualmente, menos pessoas nas faixas inferiores de
idade, entre os 19 e os 29 anos. O que explica o fenômeno? Talvez, neste
segmento, tenha ocorrido a opção pela migração, em busca de melhores
oportunidades de vida. É que ocorre em boa parte dos pequenos municípios e
distritos brasileiros.
Registros apontam que Senhor do Bonfim – o nome antigo era
Itacuruçá, que significa pedra da cruz – é anterior à própria Feira de Santana.
Sua ocupação, certamente, remonta à expansão da pecuária pelo remoto interior
do País. Hoje é denso de memórias sertanejas, plantadas pela frenética
atividade bovina de séculos atrás.