O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) recomendou que a Prefeitura de Conceição do Jacuípe adote medidas para adequar os gastos com contratações artísticas dos festejos juninos de 2026. A orientação foi expedida pela promotora de Justiça Gabriela Gomes Ferreira e aponta a necessidade de comprovar que os valores pagos aos artistas estão compatíveis com os preços praticados no mercado, conforme determina a legislação vigente.
Segundo o documento, emitido no último dia 5 de junho, alguns contratos apresentam valores acima dos parâmetros considerados razoáveis pelos órgãos de controle. Um dos casos citados envolve a contratação do cantor Rey Vaqueiro por R$ 500 mil. De acordo com o MPBA, a média estadual registrada para apresentações do artista em 2025 foi de R$ 280 mil, valor que, corrigido, chegaria a aproximadamente R$ 290 mil. O cachê contratado pelo município supera em mais de 60% esse parâmetro.
Outro contrato questionado é o da dupla Maiara e Maraísa, firmado por R$ 784 mil. Conforme a recomendação, o valor ultrapassa o teto de R$ 700 mil estabelecido pela Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo Ministério Público da Bahia, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Diante das inconsistências apontadas, o MPBA recomendou a suspensão do contrato com Rey Vaqueiro até a conclusão das apurações. Também foram solicitados o envio dos processos de contratação dos artistas, a publicação de todos os contratos no Painel Nacional de Contratações Públicas e a apresentação de documentos que comprovem a situação financeira do município.
A recomendação faz parte do acompanhamento realizado pelos órgãos de controle sobre os gastos públicos relacionados aos festejos juninos, especialmente em contratos de alto valor envolvendo atrações musicais.