Os desmandos revelados apenas atestam que a CPI da Lei Rouanet é muito necessária. O esquema de bandas, shows, artistas superfaturados, é hoje um dos preferidos para dar sumiço no dinheiro público. A CPI pode ajudar a jogar um pouco de luz neste território sombrio, que une artistas, empresários e políticos.
Excetuando-se grandes recursos para investimentos ou algo de forte apelo popular, uma candidatura exige candidatos a vereador, lideranças, deputados, tempo de TV partidos coligados. Ronaldo sai na frente, nestes quesitos.
O ex-presidente foi apontado em denúncia do MP como o chefe dos chefes dos criminosos. Na mesma semana em que Sérgio Machado delata que ele recebeu R$16 milhões, em dinheiro vivo, roubado, uma denúncia revela que ele intercedeu para libertar um prefeito estuprador no Maranhão - estado que ele e sua famiglia mantiveram na miséria absoluta -, para assim ficar com “a prefeitura na mão”.
Desde a compra de votos pela reeleição, Sarney, vem influindo e revelando o pior da escória política nacional, da mais absoluta falta de escrúpulo no uso das verbas públicas, da manipulação institucional.
Nem na velhice, aos 86 anos, o caráter amoral sofreu qualquer mudança. A sua prisão é uma questão de honra nacional, um resgaste que a moralidade da Justiça deve ao país por sua tolerância, passividade e cumplicidade com este honorável bandido.
A única recompensa é saber que além do fardão da Academia, do diploma presidencial, ele acrescentaria a tornozeleira eletrônica da Justiça aos seus troféus.
Nenhum outro trio merece mais a cadeia do que Renan, Sarney e Jucá. Entretanto é difícil compreender o jogo que acontece em Brasília entre o MP, de Janot, e o STF. Tola ilusão imaginar que é só o que vemos norteia estas ações.
Quando Sérgio Moro vazou o áudio de Dilma e Lula obstruindo a Justiça, jogou xadrez. Apostou sua obra e os resultados da Lava Jato no impedimento da posse de Lula como ministro, o que, certamente, teria mudado o rumo da situação.
Agora, Janot pediu a prisão do trio por obstrução à Justiça, o que foi negado por Teori, que tem se comportando muito bem. Por mais leigos que sejamos, as conversas dos três não parecem suficientes para um pedido de prisão por obstrução judicial, e soa estranho, pois as acusações de roubo e corrupção parecem muito mais consistentes. Não ficaria bem a um procurador usar o vazamento como elemento de punição, mesmo sabendo que houvesse dificuldade de produzir provas.
Tentou Janot pressionar o STF, que costuma sentar sob processos, e ao permitir vazamentos garantir que o sigilo fosse suspenso, pois não faria mais sentido, e com isso garantir que toda a extensão do depoimento de Machado fosse liberada? De Temer a Jandira Feghalli? Jogou xadrez, Janot?
Tentou a prisão dos três, sabendo que não a obteria, e com isso tornou um segundo pedido de prisão da cúpula do PMDB algo mais difícil? Não sei e acho que ninguém sabe.
A única coisa que creio certa é que este pedido de prisão - merecida, ressalto -, por motivos menos consistentes, foi peça de um jogo político, não uma mera ação judicial.