A ameaça de Lula de colocar "o exército de Stédile”, chefe do MST, nas ruas, para o PT não perder o poder é mesquinha, indigna de um ex-presidente, mas compatível com o real tamanho e caráter de Lula.
Vergonha II
A Câmara Federal aprovou uma moção de repúdio ao ditador da Venezuela, Nicolas Maduro. A moção não foi aprovada pelo PT, PCdoB e PSOL. Aqui, usufruem da democracia. Lá fora apoiam ditaduras. Trazem na alma a vocação totalitária, o horror à liberdade, o apego à máquina pública. Sonham em ver instaurado aqui o que apoiam lá. Não merece respeito nem voto quem não defende a liberdade.
Vergonha III
A linha amarela do metrô de São Paulo, de 13 km, foi iniciada em 2004 e deveria ter ficado pronta em 2009. Agora se revelou que as obras estão paradas há anos, e Alckmin quer rescindir o contrato com as empreiteiras. Pra comparação, de 2007 até 2014, Xangai, na China, fez 466 quilômetros, totalizando 567 quilômetros de metrô, 7 vezes e meia mais que São Paulo. Cabe perguntar quem fiscalizava as obras, como os recursos eram liberados, como uma obra pode ficar anos parada, sem um governo saber? A incompetência de Alckmin seguramente é maior que a muralha da China.
Vergonha IV
A manutenção de Mario Negromonte como membro do Tribunal de Contas do Estado.
A dramática situação do transporte público em Feira, não merece apenas a competição de torcidas apaixonadas. De um lado, a da oposição, que acha que o projeto deve ser motivo de delongas intermináveis e elucubrações diversas; do outro, a do governo, que acha que apenas por vontade, desejo e escolha, ele deve ser implantado.
O debate sobre transporte público, não só o BRT, deveria merecer a participação da universidade, de especialistas apartidários convidados pela Câmara, e acompanhamento do MP (não apenas na intervenção inicial), do Instituto dos Arquitetos, entre outros.
No momento e com as informações que temos o que podemos observar é que o projeto é necessário e precisa ser iniciado, para melhorar a vida da população.
Entregar nossas melhores esperanças a Eduardo Cunha, na Câmara, é como pedir ao elefante que atravesse o rio cheio dando carona ao escorpião nas suas costas, acreditando que não será mordido. Mas até agora sua ação tem contribuído pra reativar o papel do Congresso no cenário político. A sua disposição de encaminhar um projeto de reforma política é salutar, pois o sistema no modelo que está é intragável, inviável e insuportável. Até porque, não custa lembrar que o dinheiro público é “tudo nosso, nada deles”.
Conta de luz da indústria vai subir 53%. A previsão do PIB é menos 0,42%, a inflação será de 7,2%, litro de gasolina mais de R$4 reais na Bahia. Se não entendeu, tente o saldo de sua conta.
Longe de mim a pretensão de debater o axé - o que pode ser feito em várias vertentes, por especialistas - ou o carnaval em si, já que são meio e fim, um do outro. Pontuo apenas uma questão. Com início marcado, se preferirem, por Luiz Caldas e Paulinho Camafeu, com o Fricote, sobre o trio e fama criada por Dodô&Osmar, Armandinho, Moraes, etc, o axé explodiu nacionalmente com Daniela (O Canto da Cidade), sendo o responsável por mudar o fluxo da cobertura de TV e migração de artistas do eixo Rio-São Paulo pra Bahia. A participação popular aqui, extensa e livre, acentuava o contraste com o espetáculo televisivo fantástico que é o carnaval das escolas de samba, limitado, porém, na inclusão de pessoas.
O fenômeno comercial do axé/carnaval atuou para o bem e o mal. Atraiu multidões, mas à medida que foi industrializando sua música, produziu degenerescências rítmicas, descartáveis, foi encastelando-se, camarotizando-se, tentando ser um espetáculo exibível, cênico. Este progressivo isolamento foi acompanhando um período de administrações desastrosas em Salvador, favorecendo a ação comercial, reduzindo os espaços para incorporação do folião sem bloco e a criatividade oriunda desta Bahia espetacularmente musical - muito negra - e resultando, em análise ligeira, na tão falada crise do axé, com a separação de Chiclete, Jamil, Asa, e redução do protagonismo musical (Olodum, Araketu, Gerônimo, etc) até da estrela maior, Ivete, que está longe de sucessos do passado.
Mais do que crise, acho, no entanto, que a queda destes artistas é natural, afinal, são 30 anos de atuação musical e os ciclos de criatividade são finitos. O que devemos observar é se há o surgimento de novos artistas que possam ocupar este espaço, com mais energia, renovando o cenário, criando no padrão da perene Raiz de Todo Bem, de Saulo. Se não detectarmos esta existência, se não viabilizarmos este espaço, e ficarmos presos e dependentes dos velhos ídolos, aí sim, teremos uma crise anunciada e fatal.
Por outro lado, sofrendo o impacto do carnaval de Salvador, Rio e São Paulo, resgataram seu adormecido carnaval de rua. Blocos sem corda, como o Cordão da Bola Preta (mínimo de 1 milhão de pessoas), Sargento Pimenta (180 mil), Bangalafumenga, entre outros, recolocaram a festa para participação popular em um crescimento explosivo.
Em mecanismo inverso de pressão creio que haverá uma nítida necessidade do carnaval de Salvador voltar às ruas. Alguns blocos desceram as cordas, várias estrelas desfilaram para o pipoca e uma administração mais organizada na cidade tenta realinhar o carnaval, embora ainda pareça pouco. Não é a toa que Mano Goes (Alavonté) acaba de dizer que o bloco de cordas acabou e Saulo declara que “é preciso devolver as ruas, porque as ruas sempre deram mais que receberam”.
A mudança, certamente, não deve agradar muito os puramente comerciantes, mas a necessidade é imperiosa para que a alegria do incomparável carnaval da Bahia - e seu axé, ou sucessor - não seja vencida pela comercialização excessiva, que gera um pacto de mediocridade, ainda que lucrativo. É preciso rever as maneiras de financiamento, de viabilização comercial, sim, inclusive com blocos e camarotes, mas nunca mais na dimensão e centralidade que tiveram, para que a festa se liberte e a criatividade musical tão evidente, desta terra, reapareça. Axé.