A vida é breve demais para que a gastemos sob a agenda miserável, totalitária, rasteira e usurpadora da política. O nosso esforço deveria ser dedicado à carpintaria das relações, ao enriquecimento interno e cultural, à realização individual do nosso ofício, e o aprimoramento dos sentidos.
Nunca nossa liberdade deveria ser condicionada pela disputa de interesses, visões, limites morais ou ambições, de partidos ou ideologias. Afinal, onde elas se implantaram como dominadoras, só geraram dor, sofrimento, desperdício de vidas, atraso, submissão humilhante e descumprimento do destino natural do humano de fazer seu próprio enredo.
É por isso que não admito sob hipótese alguma que um líder político autocrático, ditatorial, conduza indefinidamente uma nação - ainda que uma ilha-, ao seu prazer e mando. Não cedo a ninguém esta autoridade ou saber. Não faço estas concessões. A ninguém é dado o direito desta posse, de resto habitualmente violenta, sobre o tempo de existência de uma população.
Somos capitães de nosso destino, somos senhores de nossa alma, como diz o poema.
Apenas os ambiciosos sem pudores, os vaidosos extremados, os enfermos de poder, os individualistas seriais, os egoístas contumazes, são capazes da suprema soberba de se arvorarem condutores eternos da vida alheia, achando que a mente e o corpo do outro são passíveis de plena escravidão e obediência.
Não, eu não os reconheço, não os tolero, não lhes concedo influência sobre minha liberdade, meu pensamento, identidade, ou escolhas. É apenas com esta noção de limitação do domínio que deveríamos ser capazes de nos oferecermos para liderar. É apenas com esta consciência de não servidão que deveríamos nos deixar liderar.