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César Oliveira

Estelionato

07 de Abril de 2016 | 07h 54
Estelionato

 

Deve ser doloroso, muito além do suportável, um esquerdista descobrir que sua esperança foi alimentada por líderes que implantaram um projeto de poder baseado na corrupção endêmica, na desvalorização institucional, no desrespeito à lei. E que, agora, mais perto do impeachment, passou a praticar o loteamento de cargos desesperado, sem nenhum pudor ou rigor administrativo. 

Pego em flagrante - sim, ele passa a ter culpa no cartório, por cumplicidade - só lhe resta gritar: olhem, os outros também são ladrões, como se isto fizesse a expiação de sua culpa ou fosse um salvo-conduto porque a falta de honestidade do outro legitimaria a falta de honestidade de quem ele apóia.

Ao mesmo tempo, fingem uma superioridade moral porque em algum momento o governo usou recursos para oferecer alguns programas sociais aos mais carentes, esquecendo que os recursos acabam, o que acaba levando o país a uma recessão que retira muito mais dos desvalidos do que de quaisquer outros.

É preciso entender que as classes mais carentes não podem servir de discurso ou de instrumento para validar o roubo endêmico que estamos vivendo. Entregue à inércia administrativa, à crise econômica, o Brasil segue em desempenho medíocre, sem atrair recursos, sem investimentos, em um círculo vicioso que afeta as famílias com desemprego, serviços ruins e superlotados, e perda dos mínimos avanços que havia obtido.

Apesar de tudo, o militante não reconhece a incapacidade gerencial de Dilma, finge que não houve roubo, que as campanhas não tiveram financiamento irregular, e sai a gritar: golpe, golpe, como uma última desculpa, esquecendo que em verdade é um réquiem.



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