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César Oliveira

Tempo, tempo, tempo

06 de Maio de 2016 | 08h 41
Tempo, tempo, tempo

O destino de tudo é passar, o destino de nós é sermos memória. A luta incansável é fazer, pois não fazer é passar sem criar lastro, sem estabelecer memórias, é não ficar. A luta imorredoura é perpetuar-se, manter-se. É luta que poucos vencem. No máximo permanecemos nos próximos a nós e em duas gerações ou três. E desapareceremos, porque o destino de tudo é desfazer-se, anular-se, desaparecer tão completamente que o mundo não mudará à sua falta.

A luta quixotesca é saber que não haverá tempo bastante e o tempo sempre haverá de vencer, reduzindo nossas vaidades, luindo nossas bravatas, dobrando nossa arrogância, velando em sua interminável paciência à espera de nosso único destino. Então, não basta estar, é preciso persistir de forma imemorial além do que durarmos, embora saibamos que mesmo o afeto se acomoda à nossa ausência e segue adiante.

Não temos réquiem, nem cantarão canções por nós, se não nos fizermos valer a pena aos outros, a nós mesmos, ao que nos rodeia, pois em cada coisa, ou outro, seremos remanescentes.  

É por isso que tento fazer, contribuir, modificar, porque mesmo sabendo da luta renhida, da luta perdida, do passar, de algum modo fico em quem escolho ser eterno, em quem teço eternos, ainda, que o eterno dure apenas o tempo que a memória ouse me amar.



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