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César Oliveira

Cultura e equívocos

22 de Maio de 2016 | 10h 40
Cultura e equívocos

Cultura é um bem essencial. Nem mais, nem menos importante que saúde, educação, ou outros, embora alguns apresentem maior letalidade a curto prazo, sendo por isso mesmo tão citados ao serem usados contra os artistas que nunca se manifestaram quando as verbas de educação e saúde foram cortadas, prejudicando a população. Há alguma razão em lhes cobrar esta participação, pois afinal têm voz e mídia. Mas há cobranças exageradas, que generalizam e misturam alhos com bugalhos.

A longo prazo a Cultura pesa tanto na qualidade de vida como qualquer outra necessidade humana e não acredito que alguém possa desvalorizar os benefícios, inclusive econômicos, que ela proporciona.

Não creio, entretanto, que um Ministério ou uma Secretaria mudem a dimensão que a Cultura tem e nem seus resultados. Muitos países importantes não têm Ministério da Cultura.

O que fará diferença é se será planejada e executada por gente COMPETENTE, otimizando os poucos recursos existentes, e que não tente usar as verbas para comprar consciências, patrocinando as coisas mais estapafúrdias possíveis.

Aliás, o jornalista Ancelmo Gois já noticiava em sua coluna, em 2015, que funcionários do MEC, do Rio, iriam propor mudança como forma de sobrar mais verba para a própria cultura.

O campo de batalha que se tornou a fusão com a Educação incendiou o debate no país. Os favoráveis à fusão criticam também os critérios de aplicação da Lei Rouanet, que ao longo do tempo mais viciou que qualificou a produção cultural nacional, servindo a diversos artistas que são do show-business e parecem esquecer que business é business e não apêndice estatal.

Esta escravatura intelectual pode ser explicada por uma entrevista da atriz Fernanda Montenegro onde ela conta como os artistas viabilizavam suas produções em banco e com o tempo foram se "estatizando", ficando dependentes das verbas governamentais.

Acho que precisamos, na Cultura, é da garantia de verbas, revisão dos mecanismos de financiamento e definição de uma política cultural que priorize as necessidades culturais mais enfraquecidas e não o show business. Com a estrutura mais enxuta possível.

O resto é choro, desamparo, partidarismo.



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