Todas as vezes que saio do trabalho e vou para casa vejo quanto são inúteis , tolos, insignificantes, os argumentos ideológicos, os debates nas redes sociais e na mídia.
Vejo quanto tudo é pueril e inconsistente quando chego ao sinal de trânsito, aqui no centro, e algo em torno de dez ou mais pessoas encostam no carro para oferecer de tudo: fruta, pano de chão, carregador de celular, amendoim, água, mapa, flanela, bombom, na cruel batalha de conseguir alguns poucos reais que lhe garantam o pão do dia e algum sustento e os mantenha à margem do crime.
É doloroso, cruel, ver tamanha luta. Este é um fenômeno que havia desaparecido de minha cidade e que retornou com toda força nos últimos dois anos. A brutalidade da hecatombe econômica que o PT nos legou, com mais de 14 milhões de desempregados, não se revela em toda sua extensão na fuga do gângster Friboi com seu iate e avião, nem nas bolsas Channel da mulher de Eduardo Cunha, nas farras em Paris, de Sérgio Cabral, mas no farol vermelho do meu caminho de casa.
Sinto-me absurdamente constrangido, irado, revoltado, por ver tantas pessoas disputando ferozmente sua possível refeição a depender da sorte que alguém abaixe o vidro. Não é falso pieguismo, nem discurso político, de colunista, mas acho apavorante e quase surrealista que estejamos travando ordinárias batalhas partidárias quando a realidade excludente, violenta, indigna, espera você no próximo sinal.
É a economia nossa verdadeira pátria a ser salva urgentemente, para que possamos resgatar a dignidade dos mais desfavorecidos.