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César Oliveira

Ainda há juízes em Berlim: a sentença de Moro.

César Oliveira - 14 de Julho de 2017 | 09h 06
Ainda há juízes em Berlim: a sentença de Moro.
Sergio Moro
Escrevo, publicamente, há mais de 20 anos. Em todos os textos que fiz - provando minha misera capacidade de prever o futuro- nunca apontei que um dia veria empresários do porte dos donos de construtoras, presos, ou que políticos, os "carainhos" da vida- o STF permaneceu, em vergonha monumental, virgem de condenações desde o fim da ditadura até há dois anos- seriam condenados e encarcerados.
 
E mesmo depois que Joaquim Barbosa - um juiz, não um negro- estabeleceu o “ponto fora da curva"- no triste e confessional dizer do Ministro Barroso-, no mensalão, ainda assim não vislumbrei uma sentença como esta. Aí, surgiu o Sergio Moro, que mostrando agilidade, como nunca vimos antes neste país, coragem, resiliência aos mais ferozes ataques, empurrou a Justiça para uma margem que ela nunca havia ocupado, desequilibrando o jogo do poder, inclusive na Suprema Corte, que, desnorteada, retirada do seu medíocre conforte jurídico, ou do protagonismo das questões periféricas, ou costumes, tão ao agrado de seus juízes “formadores de cidadãos”, viu-se revelada em todas as suas chagas e parcialidades.
 
Sergio Moro - a quem tenho criticas, por certas ações-, com a condenação de Lula, leva à Justiça e ao cidadão uma lição que nenhum jornalista, ou profeta, previu que aconteceria, afinal, não passávamos de lamentadores passivos de nossa tolerância bovina com o crime. Neste ponto, é preciso reconhecer que a “chacoalhada" que o PT deu em nossa Sociedade foi positiva, ainda que por vias avessas, perigosas e caras.
 
A consistência, objetividade, da sentença do juiz, deve tornar difícil sua rejeição pelo TRF-4, mas ainda que o fosse, mostrou-se que é possível, que ninguém está acima da lei. Lógico que é preciso lembrar que a PF e o MP- inclusive o Janot, pelo menos até se perder neste espúrio acordo com o La Fontaine de Friboi- criaram as condições basais e operacionais para que o juiz agisse, mas dependem dele, as autorizações, julgamentos e condenações.
 
Esperamos que todos os ex-presidentes, Collor, Sarney, Dilma e o atual, Temer, também o sejam, afinal, o que não faltam são delações e crimes imputados a esta grande “famiglia" da política nacional.
 
Há uma história clássica, que justifica a frase: ainda há juízes em Berlim. Procurem aí, no pai Google.  Por isso, hoje, minha reverência é a Sérgio Moro. Não como herói, ou salvador. Como o que ele mais gosta de ser: juiz. E é bom saber que ainda há juízes no Brasil.


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