Antônio Palocci, ministro de Lula e Dilma, não é um qualquer. Responsável pela “Carta aos Brasileiros" que garantiu aceitação do PT pelo empresariado é, sem dúvida, o mais inteligente e articulado membro do PT. Calmo, preciso, hábil articulador, com trânsito entre todos os partidos, ele foi o gestor da campanha de Dilma e o Ministro que gerenciou as verbas do partido no governo Lula.
Palocci vinha resistindo a delatar, mas enxergando que o fenômeno Lula já não tem mais o poder que tinha e correndo o risco de sua delação se tornar desnecessária, resolveu dar um passo adiante no jogo. E o que contou ao juiz Moro- e, com certeza está longe do que sabe-, já é suficiente para demolir as lendas de Lula, que continua a alegar inocência em meio às diversas condenações do seu staff político. Até na escolha das palavras, cuidou de criar imagens demolidoras como o “pacto de sangue” entre a Odebrecht e Lula, para uma propina de R$300 milhões de reais. Claro que meticuloso como é deve ter guardado o suficiente para corroborar suas afirmações, pois, sabe que apenas confissões não valem.
O papel central, organização, importância, dele, dentro dos governos petistas tornam sua delação um nocaute fulminante, em Lula. Ainda que os militantes- alguns com uma falta de respeito ao eleitor que chega a ser deprimente- saiam a acusar o ex-ministro é evidente que nada poderá ser feito contra a narrativa terminal de sua confissão.