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César Oliveira

32 adolescentes não serão adultos, jamais. Balas, não deixaram.

César Oliveira - 12 de Setembro de 2017 | 20h 17
32 adolescentes não  serão adultos, jamais. Balas, não deixaram.
Aratu online

No carro, ligo o rádio e Aldo Matos- o grander repórter de Polícia- comenta que mais um adolescente foi crivado de balas na noite de ontem. E diz que já são 32, esse ano.

Uma das faces mais cruéis da nossa guerra civil, da brutal violência que gera 60 mil mortos em um ano, é a amputação da história que deveria ser vivida por cada um destes adolescentes. São 32 destinos que não se cumprem, ceifados a bala, com uma fartura que nunca provaram em vida. 

Evidente que a primeira reação da Sociedade, vítima encurralada, protegida, cercada, é uma indiferença por achar que se morreram fizeram essa escolha. Compreende-se, ainda que seja um pensamento perigoso. Lógico que a relação pobreza e crime não é direta, como querem alguns- ou já teriamos nos aniquilado-, mas é um condicionante importante,  e o tráfico, é o grande beneficiado, da falta de oportunidade, famílias desestruturadas e educação vergonhosa que temos. 

Por mais que pareça algo distante, é um número que choca, violenta, e nos dá um tapa na cara, expondo claramente que não podemos mais aceitar os padrões de exercicio político que temos, nem tolerar a corrupção que desvia recursos públicos, nem  seus cúmplices morais. 

Ainda faltam 4 meses para se cumprirem. E a roleta russa da morte continua girando e  escolhendo os seus.



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