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César Oliveira

Corrupção, militares e o jogo perigoso

César Oliveira - 22 de Setembro de 2017 | 17h 47
Corrupção, militares e o jogo perigoso
Há um clima de saturação com a corrupção que perpassa os três poderes; com o imobilismo judicial que impede a punição de significativa parte dos políticos que não passam de delinquentes notórios, protegidos pelo muro do foro privilegiado; com o sistema judicial, que tem juízes e promotores contaminados e que se aposentam com salário integral quando condenados; com a impunidade de criminosos comuns e com a extorsão praticada em quase todos os setores públicos da Sociedade; com o STF, visivelmente sem liturgia, midiático, partidário, com violências éticas graves; Tribunais de Conta que não passam de balcões de negócios; enfim, com um conjunto da obra que rende serviços ruins, violência descontrolada, desemprego, desconfiança e destruição moral da Sociedade e seus valores.
 
As reformas que poderiam mudar o clima do atual estado de coisas não andam no Congresso, pois, os delatados e processados que comandam o poder, com aguçado instinto de sobrevivência, impedem as alterações, mesmo com as seguidas denúncias de fraudes e malas de dinheiro que estarrecem a nação.
 
Dentro desse contexto, um general viola a hierarquia, ameaça o Judiciário, diz que militares poderiam dar um golpe, não é punido por seu superior- ao contrário, este, disfarçadamente o apoia-, e o Ministro da Defesa finge-se de morto e se dedica a pantomimas.
 
A ideia residual que ficou é que o Alto Comando já discute a questão e há “aproximações sucessivas" da ideia. Não há mais a garantia absoluta que as Forças Armadas estão contidas pela Constituição e pela terrível experiência do passado.
 
A situação agrava-se porque a população não está encontrando respostas nas instituições civis, o que cria um ambiente favorável a este tipo de aventura. Entramos em um terreno perigoso. É bom que o “bonde dos malucos" lá de Brasília comece a prestar atenção ao jogo.


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