A violência brasileira é multifatorial, e assustadora por sua complexidade e falta de respostas. Envolve um Judiciário ineficiente, Polícia desarticulada e um Legislativo que não se debruça sobre a questão das leis e prefere não ouvir o clamor da população exigindo mudanças. O homícidio de uma vereadora, no Rio, no entanto, parece ter desencadeado um furor emotivo, como se as demais 60 mil vítimas, inclusive de um pai, diante do filho de 5 anos, ontem mesmo, no Rio, não merecessem a mesma indignação.
Aproveitando o fato, muitos começaram acusar o governo Temer e a intervenção, sem fazer a mea culpa completa. A verdade é que durante os governos Lula e Dilma nada foi feito de concreto para combater a violência, ao contrário, foi nesse período que os indíces explodiram, especialmente no Nordeste, e na Bahia, como mostra o Mapa da Violência. Os investimentos em segurança foram reduzidos e apenas São Paulo apresentou melhoria nos seus números. Ao final do governo Dilma, com recessão, haviam 12 milhões de desempregados. Não se chega a essa explosão de hoje sem atribuir aos seus responsáveis a sua parte nesse latifúndio.
Na esteira da morte da vereadora Marielle, no Rio de Janeiro, do devasso e corrupto governador Sérgio Cabral, outros aproveitam para responsabilizar o governo Temer. A critica, sem fazer a mea-culpa, sem apontar a falha do governo anterior, fica com ar de jogo político. O correto é que, pela primeira vez, um presidente está tentando fazer algo para coibir o desmando administrativo e o vácuo de poder no Estado, decretando a intervenção federal, infelizmente, não tão ampla como merecia. Cobrar resultados em um mês, como se enfrentar traficantes, milicianos, banda podre da Polícia, politicos corruptos, que compõem a fauna carioca, fosse uma reunião para o chá, é torcer a lógica da argumentação. O processo será longo, custoso e díficil.
A verdade é que os bandidos do Rio irão reagir ao serem confrontados e, mais do que antes, fica claro que Temer tomou a atitude correta e que já deveria ter sido tomada pelos presidentes anteriores e, talvez, aí então, Marielle estivesse viva agora.