Consta de qualquer manual básico do romance policial que diante de um homícidio a pergunta natural é: a quem interessa a morte? Então a quem interessa a morte de Marielle? A banda podre da Polícia? Bem, as denúncias dela não são novas, nem seria a hora mais lógica da Polícia executá-la, quando estão sob observação dos interventores federais. A milícia? Não há, também, lógica nisso, pois, ela nunca combateu o tráfico de drogas, nem a exploração de transporte, ou venda de gás, por essas facções. Ao tráfico? Sim, ela pode ter contrariado interesses de facções rivais, mas não se pode provar, por enquanto. Apesar das ressalvas, todos são, sim, potenciais interessados.
Interessa aos que estão contra a intervenção federal? Sim, interessa. E a quem incomoda a intervenção? A traficantes que perdem espaço e acesso ao tráfico de armas, as mílicias, a banda podre da Polícia que corre o risco de ser denunciada e presa, os consumidores do circuito morro, areias de Copacabana, baixo Leblon e rota de badalação, e políticos corruptos que são financiados pelo tráfico para defenderem suas causas. E devem ser investigados.
É preciso investigar, também, quem financiou a campanha, que contribuia com a vereadora, para tentarmos encontrar o interesse que foi contrariado e punir, exemplarmente, os criminosos.
A verdade final é que o cidadão comum é o único que não perde espaço com a presença das Forças Armadas e outras Policias. Ao contrário. As últimas apreensões de cocaína ( 1,5toneladas no valor de R$250 milhões de reais, a maior já feita no Estado), fuzis, retirada de barreiras de acesso, é o ínicio de uma lenta, custosa e prolongada retomada da autoridade pública. Não enxergar isso, apenas porque foi Temer que fez, corajosamente, quando nenhum outro presidente, inclusive Lula e Dilma, o fizeram é desejar que o povo carioca continue submetido a exploração dos politiqueiros oportunistas e a submissão ao poder do crime.
Ao contrário da expectativa de criar uma comoção contra a intervenção, a bárbarie da execução, óbvia, da vereadora, independente de seu perfil, é o ato mais evidente, explícito, da necessidade da urgência da intervenção federal, de sua ampliação e do acerto do governo Temer, pois, o poder público e o estado de direito, foram desafiados.
Ou vence a população do Rio, e a lei, ou perdemos, todos.