Há muitas formas de olhar o Brasil e a miséria ética nacional. Ela é multifacetada. Às vezes, se mostra em um evento monumental; às vezes, se revela em um incidente comezinho, um gesto simplório, mas tão simbólico quanto o outro. Ontem, no confuso deserto institucional do STF, presenciamos um desses instantes: foi quando, diante, da possibilidade de decidir a prisão em segunda instância, e não só após a quarta instância - algo que não acontece em nenhum outro país do mundo civilizado- o Ministro Marco Aurélio, brandindo um check-in, aéreo, disse que não poderia ficar para a sessão, sugerindo que ela fosse suspensa porque já tinha um voo marcado.
Não considerou a dimensão da questão, a exposição a que a instituição STF fica submetida até o dia 4 de Abril- independentemente do resultado-, quando a pauta será retomada.
Adiamos, assim, a nação que queremos ser. Os Ministros do STF mostram que não estão prontos para carregarem em seus ombros, o STF.