Os caminhoneiros pararam o Brasil, e, apesar dos transtornos, ganharam um inédito apoio da população, que não reclamou, levou alimentos, aplaudiu, e manifestou seu apoio ao movimento. Tolice imaginar que esse apoio é uma solidariedade de usuários. O combustível é outro.
A população apoiou o movimento porque se sente órfã de lideranças que os representem, da falta de respostas de um Congresso falido, omisso, comprometido moralmente e judicialmente; de um Presidente, que se faz reformas importantes, mostra-se intrinsecamente ligado à quadrilha partidária que usurpa o país há décadas; e de um Judiciário, que desrespeita as leis em troca de benefícios financeiros, e age com lentidão, ineficiência, falta de resolutividade, quando não coisas piores, que irritam a população.
Não, não, o apoio do povo aos motoristas de caminhão é apenas um grito de alerta, um compartilhamento de anseios, uma identificação e suporte a alguém capaz de lutar suas lutas. É a canalização de vontades comuns. É importante que os representantes institucionais entendam, pois, o líquido da insatisfação é inflamável e qualquer faísca pode desencadear um incêndio sem controle.