O conheci quando voltei da Residência Médica e fui dar meus primeiros plantões na CLIMEC, em Conceição do Jacuípe ( Berimbau), em 1989. Dr Raimundo Nonato. Nonato era dos bons. Apaixonado por sua atividade médica, consciente do seu bom ofício, foi fundamental ao começo e cuidado de muitas vidas, na região. Casado com a delicada Terezinha, pediatra, uma espécie de tampa e balaio, metade acertada da laranja. Gostava da cidade, católico ardoroso, sem o fanatismo da fé. Foi bom amigo, desses confiáveis, bom pai, marido exemplar. E cidadão, desses que o mundo fica mais afetivo com sua existência.
Durante muitos desses últimos anos, que o mundo dá voltas, foi meu paciente. Nessa última segunda, à noite, o visitei na UTI e conversamos um pouco. Acho que fui a derradeira pessoa conhecida que falou com ele. Na madrugada, aos 91 anos, ele faleceu. Foi uma morte tranquila, sem intervenções ou dores excessivas, como desejava. E foi lúcido até o fim.
A vida foi cumprida. Vá em paz, bom Raimundo.