É difícil escrever sobre Bolsonaro, contra ou a favor, sem aparecer agressores, portadores de indignação seletiva, e similares, mas vamos lá: é análise, não opção de voto.
Ganhando ou perdendo, o "case" Bolsonaro terá de ser estudado pelos especialistas em política. Um candidato sem verba, sem marqueteiro, sem tempo de TV, sem coligações, com uma equipe que oscila entre a asneira e a inexperiência, massacrado como nenhum outro em toda mídia, esfaqueado e colocado fora do corpo a corpo, resiste a todos os ataques, mantém a liderança, galvaniza todo processo eleitoral ao ponto dos adversários o citarem todo tempo, garante um lugar no segundo turno, e tem chances cada vez mais exponenciais de ganhar no primeiro.
Seja qual for o resultado, teremos que mudar nossa concepção e modo de análise, nossa interpretação da nova voz da população, do dominante papel das redes sociais e de um novo grupo, não tradicional, de formadores de opinião. O que parecia caricato revelou-se um discurso que já é vencedor.
Como lidaremos como esses novos dados daqui por diante? Quais os fatores impulsionadores de Bolsonaro?; quais os que limitaram o avanço dos adversários com mais dinheiro e tempo? Que leitura faremos do país, da mídia, das redes sociais, do tempo de TV, partidos, da voz da população? Qual o recado da população aos políticos?
Todo sistema tradicional está em xeque e haverá muito a ser analisado, discutido e revisto pelos estrategistas políticos.
Bolsonaro se tornou um “case" de sucesso emblemático.