Durante mais de 500 anos o patrimonialismo, a corrupção, o desvio do dinheiro público, a impunidade, a criação de leis que dificultavam a punição da elite corrupta, foram o tom dominante nesse país. Um consórcio que uniu Judiciário, Legislativo, Executivo, empresários, sistema financeiro, policial, e outros parasitas indiretos, que sugaram esse país implacavelmente, nos condenando a miséria, aos serviços degradantes, enquanto construíam biografias de sucesso e fortunas incalculáveis. Assim foi nossa história.
Houve, no entanto, uma vez, uma única vez, em que a espinha dorsal da corrupção foi quebrada, políticos poderosos foram presos, empresários que não passavam de seriais killers das verbas públicas foram para a cadeia, e recursos foram recuperados.
Essa ação inédita, heróica, corajosa, essa luta brutal foi escrita pelo juiz Sérgio Moro e por um grupo de procuradores, do MP, liderados por Deltan Dallagnol.
Agora, o consórcio criminal construiu um “acórdão que reúne forças diversas, e tem em Aras, atual Procurador Geral, um de seus braços, acaba de derrotar o juiz, o procurador, que sonharam juntos conosco o sonho de um Brasil sem corrupção.
E nós, brasileiros, passivos, calados, sem entendermos a grandiosidade do acontecido nos deixamos levar pelas narrativas construídas com suposições inconsistentes, elaboradas e divulgadas por seus inimigos, e nos tornamos cúmplices dessa derrota.
Nós somos os seus carrascos, nós somos os nossos carrascos.