O ovo da serpente- a reeleição- plantado por Fernando Henrique Cardoso, continua dando seus frutos perversos. Ao longo desse tempo a cobiça do segundo mandato faz com que mandatários se curvem à chamada " realpolitik", em busca da manutenção no poder.
O Presidente Bolsonaro que pensa nela do café da manhã a hora de dormir, não fica atrás. Primeiro afastou Moro- um linha dura contra a corrupção- e abraçou o grupo conhecido como Centrão, um conjunto de políticos assíduos frequentadores das delações premiadas, entregando verbas e lideranças, e abandonando a promessa de feroz combatente da corrupção, da campanha. Por outro lado, aproximou-se do pior que há no STF- Gilmar e Toffoli- contrários a Lava-Jato, até a última culpa.
O mais importante, no entanto, foi que Bolsonaro descobriu o que Lula já tinha descoberto: o eleitor necessitado é fiel a quem lhe dá dinheiro, e " pai dos pobres" é quem comanda o cofre. Após distribuir o essencial e correto " coronavaucher" , Bolsonaro, viu sua popularidade alçar um voo que nem imaginava, e que lhe coloca com uma chance quase imbatível de ser reeleito. Assim nasceu o Renda Brasil, que foi morto, e renasceu, antes do terceiro dia, como Renda Cidadã. Era, sem dúvida, tentação demais.
Assim, o governo passou a tentar encontrar no escurinho de suas contas uma maneira de arranjar dinheiro para manter a distruição da ajuda que costuma comprar a gratidão em votos. A pedra no meio do caminho é que dinheiro não há, e cogitar tirar dinheiro do FUNDEF e dos precatórios são aberrações inaceitáveis.
A necessidade de Bolsonaro tem transformado Guedes em um posto Ipiranga de segunda, pois, suas políticas terão de estar sujeitas a uma agenda eleitoral. Um pouco mais de rigor e já poderíamos considerar o ciclo Guedes encerrado, mas o ministro da Economia parece se curvar a tudo, ainda que precise ser retirado de entrevistas por um general.
O fato é que Bolsonaro tem uma cobiça eleitoral e não vai abrir mão da popularidade conquistada com a distribuição de dinheiro. A grande ameaça é como isso poderá repercurtir em nosso futuro. A reeleição continua a destilar seu veneno.