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César Oliveira

O debate dos candidatos a prefeito de Feira

César Oliveira - 01 de Novembro de 2020 | 19h 48
 O debate dos candidatos a prefeito de Feira

A TVE promoveu um debate com os candidatos a  prefeito de Feira, com regras mais flexíveis que o habitual. Com a lamentável desistência da TV Bahia, esse foi o grande espaço para que os candidatos pudessem falar com os eleitores. O prefeito Colbert Martins faltou ao evento- uma tradição de quem está no poder de sonegar conversa com o eleitor- como fez tantas vezes José Ronaldo quando era candidato, em atitude apoiada por Geilson, Tourinho, Arimatéia, quando eram do mesmo grupo, sem poderem, portanto, reclamarem do fato. Houve  excesso de discurso e  escassez de propostas consistentes, objetivas, mas alguns momentos merecem destaque.

Dayane cobrou Tourinho pelo vice dele, Ângelo, ter votado a favor de fechamento do CIS- Centro Industrial do Subaé, quando era deputado e Tourinho, que tem um discurso objetivo, uma boa articulação de pensamento,  alfinetou de volta com fala sobre traição, provocando a deputada sobre o rompimento dela com Bolsonaro.

Já Marcela Prest não conseguiu articular a primeira pergunta e Medeiros, do Novo, que mantém sempre um tom agressivo, aproveitou para dar um troco na candidata que apelou dizendo que o uso da palavra “ cacique” era demonstração de preconceito. O BRT foi apontado  como fake porque não preenche os critérios de BRT e Marcela, corretamente, propôs a integração do modal de ciclismo ao sistema de transporte.

Geilson fez uma séria denúncia, talvez por já ter sido do grupo e conhecer o sistema por dentro, apontando que  as consultas da Saúde estão na mão dos vereadores  e que os cargos comissionados, em verdade, são de cabos eleitorais. Arimateia informou que 150 mil feirenses não estão sendo atendidos na atenção básica e ele vai resolver.

Tourinho acusou o governo municipal de não ser transparente sobre as verbas públicas e prometeu clareza. Em seguida, Dayane, mostrando que acusou o golpe, gastou um bloco justificando a suposta “ traição” a Bolsonaro, e cobrou Geilson por também ter deixado José Ronaldo. Geilson disse que deixou Ronaldo e depois  Rui Costa porque ele não cumpriu a promessa de o apoiar como candidato e que por isso  preferiu ser  independente.

Dayane, aliás, em pergunta de Marcela Prest sobre participação popular não disse nada com nada. Em compensação, Marcela, ao ser questionada sobre o que fazer para mudar a educação, falou apenas sobre apoio a educação de minorias, mas sem um plano para melhorar o IDEB eternamente capenga de Feira. Geilson foi o melhor no aspecto de propsotas para educação, incluindo, inclusive,  avaliação de professores.

O momento mais agressivo do debate veio, novamente, de Medeiros,  que acusou Zé Neto de ser um deputado “ gastão” e dos que mais utilizam as verbas de gabinete. Quando Neto respondeu que era legal, Medeiros,  foi na jugular dizendo que era legal, mas era imoral, quando tanta gente está precisando. No embalo chamou as coligações de câncer. No  seu tom sempre há um ar de superioridade que pode ser visto pelo eleitor como arrogância. Como tem pouco tempo na propaganda poderia ter aproveitado mais para apresentar propostas.

Zé Neto cumpriu a tabela e apresentou  críticas a saúde e sistema de transporte, mas faltou, como candidato do governo do Estado,  apresentar algo mais grandioso depois de tanto preparo e experiência. Os seus discursos tem sido muito generalistas, o que é estranho, porque o deputado tem trabalho por Feira a ser mostrado.

Ao final, houve quase uma competição pela origem mais humilde, e ficou claro que o flanco do governo municipal são saúde e transporte, áreas que todos centraram suas críticas pela ineficiência e fizeram propostas de mudança.

Precisamos de  mais debates.

 



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