A nova pesquisa da Folha de São Paulo mostrou que Bolsonaro continua com aprovação em alta. Opositores, que sonham tirar Bolsonaro do poder – como os que sonhavam tirar Lula –, acham que esse tipo de líder é um ser isolado, que chegou ao poder pelo acaso e cometem, aí, seu erro fatal. Bolsonaro, como Lula, encarnam uma maioria de brasileiros, um tipo de brasileiro que se encontra representado – na estética e nos valores –, nesse tipo de liderança. Por isso a aprovação não cai.
O percentual de brasileiros com horror ao “Bozo do Centrão” ou ao “Chefão inescrupuloso, cujo governo fazia negociatas por baixo do pano e recebia propina na casa dos bilhões”, é a parcela menor da sociedade, que exige mais estética de ambos e busca um líder com valores mais próximos do estadista, embora tenham uma absurda capacidade de escolher errado.
Esse brasileiro bolsonarista, assim como o brasileiro lulista, não larga o poder facilmente, depois que se sentem representados no status quo.
É preciso algo maior, que quebre a espinha do poder, para que ele caia. Foi assim com a Lava Jato, em relação ao estado de devassidão moral que o PT implantou; poderia ser assim com a pandemia em relação a Bolsonaro, com a quebra da economia.
O problema para quem esperou por isso foi que o governo agiu certo com as medidas econômicas, até aqui (embora seja capenga e abjeto na saúde), o que resultou no crescimento de Bolsonaro, nas pesquisas. Caso o ministro Guedes, o Posto Ypiranga, mantenha a performance e a economia sobreviva, ele continuará sendo o grande favorito à reeleição.