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Segurança

PF prende agente penal acusado de atuar como "pombo-correio" do Comando Vermelho em presídio federal

16 de Junho de 2021 | 10h 46
PF prende agente penal acusado de atuar como
Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta terça-feira (15), o agente penal Docimar José Pinheiro de Assis, de 53 anos, sob a acusação de levar e trazer bilhetes para os chefes do Comando Vermelho (CV) presos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. O servidor público tinha 15 anos de carreira.

De acordo com o jornalista Josmar Jozino, colunista do portal de notícias Uol, a PF investigava o agente desde janeiro de 2020, tendo constatado que ele atuava como "pombo-correio" para a liderança da facção criminosa, incluindo os presos Fabiano Atanásio da Silva, o FB; Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP; Pedro Vieira dos Santos, o Matemático; e Marco Antonio Pereira Firmino da Silva, o My Thor.

Na manhã de ontem, foram cumpridos 26 mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão, nos estados do Paraná (Catanduvas e Cascavel), Santa Catarina (Chapecó) e São Paulo, no âmbito da Operação Efialtes, nome dado em alusão ao grego que traiu seu Exército durante a batalha das Termópilas, em 480 a.C., passando ensinamentos aos inimigos persas, em troca de dinheiro.

Conforme o articulista, a mulher do agente penal, uma advogada e 18 detentos do presídio federal foram acusados de envolvimento no esquema. Ele enfatizou que a Justiça Federal havia autorizado a quebra de sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário dos suspeitos.

Segundo a PF, os dados foram colhidos durante o período de sete quinzenas de monitoramento e não deixam dúvida em relação à participação delituosa dos acusados. Os policiais que investigaram a movimentação da quadrilha detectaram que Docimar de Assis, que atuava como chefe de vivência, sendo responsável pelo pavilhão do presídio, aproveitava os momentos em que estava sozinho para realizar a troca de mensagens. Ele entregava os bilhetes pelas portinholas das celas.

Além de levar correspondências de um xadrez a outro, o agente penal também as transportava para o exterior. Conforme Josmar Jozino, dentro do presídio, o detento FB foi o que mais usou o serviço ilícito de troca de mensagens prestado por Docimar.

O colunista noticiou, ainda, que a PF pediu a prisão preventiva da mulher do agente penal, Michelle Karol Malavski, de 27 anos; da mulher do prisioneiro FB, Mariana Né da Silva, de 32; e da advogada Luceia Aparecida Alcântara de Macedo, de 39 anos.

Bens sequestrados - Docimar de Assis movimentou R$ 1 milhão em um ano e comprou um apartamento, um sobrado e um veículo de luxo, de acordo com a Polícia Federal. A advogada é suspeita de ter movimentado R$ 5 milhões em sua conta corrente, em um período inferior a dois anos.

No entendimento da PF, os membros do Comando Vermelho em cumprimento de pena conseguiram manter e administrar atividades ilegais de dentro da Penitenciária de Catanduvas, especialmente o tráfico de drogas, graças à participação do agente penitenciário no esquema.

De acordo com o articulista do Uol, a investigação aponta, ainda, que, um dia após a morte de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco - líder da facção encontrado morto, por enforcamento, dentro de uma cela do presídio de Catanduvas, em 22 de setembro de 2020 -, Docimar de Assis esteve com a advogada. Além disso, os policiais federais flagraram, na mesma data, o agente penal no próprio carro com uma mulher que também faz parte do esquema.

A PF também solicitou o sequestro dos bens do servidor público e dos demais acusados à Justiça Federal. Docimar José Pinheiro de Assis vai responder por associação à organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Segundo o jornalista Josmar Jozino, esta é a primeira vez que um agente penal de presídio federal é preso sob acusação de atuar como "pombo-correio" de chefes de facção criminosa.



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