O fechamento da chapa petista para concorrer nessa eleição está mais difícil de sair do que samba de gafieira. Por um breve instante surgiu a sugestão de Otto Alencar ser o candidato a governador deixando Jacques Wagner curtindo as delícias de seu apartamento no Corredor da Vitória e o resto de seu mandato na sinecura do Senado, o que levaria Rui Costa a ser candidato ao Senado. Sabendo como é o ostracismo – e a vulnerabilidade- de quem está fora do poder o governador não deve estar muito satisfeito de ficar sem mandato. Certo que poderia assumir um cargo no governo federal com a vitória de Lula, mas ainda há muita água para correr sob a ponte para haver essa certeza. Melhor não contar com o ovo quando a galinha pode ter outro dono.
A verdade, no entanto, é que essa composição levaria o PT a
trabalhar por um candidato que não é puro sangue petista e que mais levou o
estilo carlista de governar para a esquerda, do que o contrário. Caso eleito,
Otto, que tem importante número de prefeituras sob seu comando, dificultaria ao
PT retomar a liderança do governo, por mais que sejam aliados. Seria ganhar, perdendo. O PT deu um salto
triplo carpado de volta, pano voou para todo lado, e Jacques Wagner voltou a
ser o candidato. Melhor arriscar a ganhar ganhando. Rui ficou fora da chapa de
novo- e vai ser preciso muito chá na varanda do belo Palácio de Ondina, com sua
fantástica vista, para enxergar qual será seu futuro depois de governar a Bahia
por dois mandatos e ficar exposto ao destino. Rui não quer ficar fora do poder
e Wagner sabe que apesar das mordomias do Senado um mandato executivo é muito
mais atraente. Não cabem todos os passageiros no banco da frente da Rural. Aguarda-se uma nova reunião com Lula- o caudilho do partido-
para tentar uma composição. Dizem que o grupo de ACM torce para Otto ser o
adversário, afinal, são do mesmo berço. Caso Rui seja candidato ao Senado por nove meses os baianos
estariam entregues ao Leão.