Uma das peças de teatro mais conhecidas de Ibsen é Um
Inimigo do Povo - tive a oportunidade de ver em duas montagens diferentes- e
que já teve seu argumento central aproveitado em diversos textos adaptados. Um
Inimigo do Povo retrata o conflito existente entre o individual e o coletivo,
mostrando de que forma a população de uma pequena cidade-balneário da Noruega
transforma o médico local de cidadão honrado em um inimigo do povo porque ele
duvidava dos poderes e da qualidade das águas que serviam os banhos públicos,
fonte de riqueza para toda a cidade.
O dinheiro fácil-e o poder que ele gera- enraíza na Sociedade,
infiltra-se como erva daninha em suas instituições e vai corroendo, corrompendo
todo tecido social, através do ganho sem esforço. Ele vicia, rebaixa consciências,
gerando o apoio de todos aqueles que se beneficiam direta ou indiretamente-
legal ou ilegalmente- do processo de corrupção.
O exemplo mais direto disso é a reação de parte da banda
podre da Justiça, advogados, políticos, empresários corruptos, contra a
Lava-Jato e Moro. Digo sempre que apesar de grampeado nada surgiu nas conversas
de Moro que sugerisse corrupção. Não
conheço muitos outros nomes que seriam capazes de saírem ilesos após terem seus
telefones grampeados.
É possível discutir procedimentos da Operação Lava jato,
tentar aperfeiçoá-la, mas a destruição a que foi submetida – inclusive pelo PGR
Augusto Aras- é uma vergonha a todo pagador de impostos que deseja viver em um
país mais honesto. Moro mudou uma Justiça que durante 500 anos perseguiu
negros, pobres e putas, prendendo políticos, empresários devassos. Agora, ela
volta-se novamente para pretos, pobres e putas. E o brasileiro ainda acha que
ele é um inimigo do povo. Não chega a ser novidade, porque Ibsen já escreveu
sobre isso! Só os atores atuais é que são canastrões da pior qualidade!